<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540</id><updated>2011-08-26T23:09:44.481-04:00</updated><title type='text'>Blog do Pierre Alfredo</title><subtitle type='html'>Textos já descartados da coluna "Fazendo Onda", do site www.S365.com.br.
Vou deixá-los neste blog para que não se percam, como já aconteceu com a maioria deles. 
No futuro, isso aqui vai valer uma fortuna. </subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>25</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-680994781913632672</id><published>2008-06-27T15:32:00.000-04:00</published><updated>2008-06-27T15:34:14.110-04:00</updated><title type='text'>Violência</title><content type='html'>Em junho de 2006 retornei para Floripa depois de passar dois anos no exterior. E após este curto espaço de tempo, notei severas mudanças na cidade. E não estou me referindo à feiúra, à quantidade de lajes cobrindo casinhas à beira das estradas para as praias, aos milhares de outdoors, às lojas de material de construção em cada esquina, ao contínuo ciclo de poluição e destruição de praias (destrói e ocupa – inflaciona e elitiza – caga tudo e não limpa – desvaloriza e vai embora). Falo da violência. Não só da violência comum, esta das páginas policiais, do número de assaltos, roubos e assassinatos que também aumentou assustadoramente. Me preocupo mais ainda com um certo clima de violência que está no ar, que está na cara feia daquele transeunte que passa me encarando, do motorista que vem e não desvia de mim quando caminho à beira da estrada, ou que passa rente ao meu carro quando estou dirigindo. Existe algo sim, há, agora, esta sensação na atmosfera florianopolitana, essa convicção de que todos são inimigos, de uma desconfiança geral, de uma competição de esperteza, do quanto mais malvado melhor, e de que se vacilar, dança. &lt;br /&gt;Esta cidade não é nem nunca foi terra de santos, mas que as coisas não eram assim, não eram. Até pouco tempo, éramos meio tansos, meio simplórios até, confiávamos em todo mundo, fugíamos da porrada e só queríamos debochar dos outros. A opinião que eu tenho a respeito das causas desta metamorfose, quero deixar bem claro, não são movidas por nenhuma sentimento xenófobo, mas eu realmente penso que a migração foi o que trouxe essa nuvem de violência que paira sobre Florianópolis. Não que as pessoas que vieram morar aqui sejam bandidas, não que elas tenham promovido isso voluntariamente, não que elas não devessem ter vindo. O que eu quero dizer é que estas gentes todas, escoladas no caos de suas cidades de origem e fugindo dele, acabaram por trazê-lo para cá na forma dessa desconfiança, desse “não levo desaforo”, desse “atiro primeiro, depois pergunto”, dessa insegurança permanente.&lt;br /&gt;Aliado a este fenômeno natural e inevitável – que, no fim das contas, está trazendo Floripa para a realidade do Brasil –, colabora também para ele a índole absorvedora de más idéias do nativo. Na falta de uma cultura local definida, ou por essa tansice a que me referi acima, ele encampa coisas, comportamentos, jeitos de ser, da galera de outros lugares. &lt;br /&gt;É por isso que adolescentes andam pela Lagoa de boné para o lado, roupas de beisebol (roupas de beisebol!!!!) e um berro na cintura, ouvindo rap americano (do qual eles não entendem uma palavra, aliás, a maioria dos americanos tampouco entende) e se comportando com se fizessem parte de uma gang californiana. É por isso, por essa mania de copiar merda, que torcedores do Avaí e do Figueirense, de toca de lã na cabeça em pleno verão, pulam nas arquibancadas imitando a maneira de torcer e os gritos de guerra de times paulistas, e depois vão atirar pedra nos ônibus do adversário para assassinar um menino de 17 anos. É por isso que alguns tarados locais (ou metidos a locais) se enchem de tatuagens ridículas – índios americanos, dragões chineses e os mais variados símbolos tribais dos quais ninguém conhece a tribo ou o que significam – raspam o cabelo, e vão para a praia dar porrada em quem eles intitularem haoles, dentro do mais puro espírito havaiano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-680994781913632672?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/680994781913632672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=680994781913632672&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/680994781913632672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/680994781913632672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2008/06/violncia.html' title='Violência'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-8272483184530317304</id><published>2008-03-01T23:17:00.004-05:00</published><updated>2008-03-01T23:31:30.940-05:00</updated><title type='text'>A Mãe do Surf - 3ª parte</title><content type='html'>Finalmente, terminei esse texto. É que eu andava ocupado e não conseguiria escrever outra porcaria sem terminar essa. Pois bem. É a terceira parte. A segunda e a primeira estão abaixo dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Isso veio daquela famosa festa no The Glen, quando todos baixaram as calças. Mas não conte a ninguém. Bill estava lá - Bill 'Moondoggie' Jensen". Outras anotações daquele mesmo ano registram outras malvadezas: "Golden Boy enterrou minha prancha na areia e desconectou o distribuidor do meu carro. Atirei um abacaxi na cara dele".&lt;br /&gt;Há, então, uma nota ameaçadora: "alguém pintou uma suástica na nossa calçada". Perguntei sobre a reação da família. O assunto traz tantas más lembranças que Gidget preferiu não aprofundá-lo. Mas a verdade é que a conexão suástica-surf não era novidade. Já nos anos 1930, uma linha de pranchas já a trazia como adorno e ainda hoje permanece a controvérsia a respeito da origem dela, se oriunda dos nazistas ou dos índios, que também a usavam. Houve um tempo em que até a famosa Malibu Shack (espécie de cabana freqüentada pelos surfistas da década de 50) tinha a suástica pintada em uma de suas paredes, embora ninguém assuma ou aponte quem a gravou, ou porquê.&lt;br /&gt;Por volta de 1958, Malibu mudou. Nos registros do diário de Gidget, consta que no dia 30 de junho ela foi assistir às filmagens do longa metragem baseado na sua própria vida. "Meu Deus, sempre achei estúpido ver Sandra Dee interpretando a minha vida. Todos os atores pareciam umas bichonas. Era muito engraçado. Não acreditava que era um filme a meu respeito".&lt;br /&gt;Subitamente cansada, Gidget fechou o diário dizendo, "Puts, isso não está certo. Falamos tanto e eu esqueci de dizer o que eu penso sobre tudo isso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempos depois, acompanhei Gidget em um retorno à Malibu. O dia estava perfeito e a praia não estava muito cheia. “Boas ondas”, observou Gidget. Então, enquanto caminhávamos próximo ao “buraco”, em direção ao local onde antes era o Shack, ela me cutucou, “menina, você viu aquilo?” e tirou suas sandalhas. O ambiente, obviamente, era, para ela, um poço de memórias. “Meu Deus, lá está Mysto”. Mysto George nunca perde um bom dia de surf em Malibu desde 1954, e permanece até hoje, décadas depois de Gidget e seus contemporâneos se dispersarem; até mesmo depois de a rapaziada mais jovem fugir de Malibu por conta do esgoto na água. &lt;br /&gt;De long-john, incluindo capuz, com aqueles mesmos intensos olhos azul-marinho que só alguns surfistas têm, George carregava seu surrado long board, pronto para entrar na água, quando Gidget chegou-se. “Bem ‘bitching”, hoje, heim?”, indagou. “Yeah”, disse George. Conversaram e Mysto perguntou-lhe se gostaria de surfar. Ela, então, disse que vinha pensando na idéia (na tarde do mesmo dia, ela realmente levou sua velha prancha para o conserto).&lt;br /&gt;Alguns dias depois, uma edição comemorativa da Revista Surfer chegou às bancas. Nela, Gidget era a sétima na lista dos 25 mais importantes surfistas do século XX. Tratava-se de um registro corajoso deste clássico periódico da “surf culture” norte-americana, sempre tão masculino, na qual a mulher poderia até ter certo espaço mas nunca o suficiente para ser incluída em um ranking de tamanha importância. Eram apenas duas mulheres presentes e Gidget não estava muito abaixo de Duke Kahanamoku – o havaiano universalmente adorado, pai do surf moderno – mas ficava acima de Miki Dora, reverenciado como pai do “surf style”. A posição dela, tão próxima desses deuses, deixou muita gente do “surf establishment” surpresa, mas a coisa já estava feita: a não-assumida surfista teve finalmente seu valor reconhecido por aqueles a quem ela tinha inspirado até o “ganha-pão”.&lt;br /&gt;Com a virada do século, enquanto personalidades importantes e países pedem perdão uns para os outros por comportamentos errôneos do passado, talvez em preparação para o apocalipse, ou talvez apenas porque é chegado o tempo, é bom saber que Gidget por fim foi justiçada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-8272483184530317304?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/8272483184530317304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=8272483184530317304&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/8272483184530317304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/8272483184530317304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2008/03/me-do-surf-2-parte.html' title='A Mãe do Surf - 3ª parte'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-6706665559878045899</id><published>2007-09-23T23:33:00.000-04:00</published><updated>2007-09-23T23:38:02.038-04:00</updated><title type='text'>A Mãe do Surf - 2ª parte</title><content type='html'>A primeira parte está no post abaixo. Eu ia fazer em duas partes, mas ainda falta mais um pedaço que publicarei na semana que vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é difícil entender porque Frederick Kohner fascinou-se com as estórias da praia contadas por sua filha. Ele e seus dois irmãos cresceram na Tchecoslováquia, na cidade de Teplitz-Schorau. Seu pai, Julius, era dono do cinema local. Em 1921, Paul, o primogênito, uniu-se à primeira leva de imigrantes judeus que se mandou para Hollywood. Em poucos anos, ele já era um agente poderoso, empresariando clientes do naipe de Ernest Hemingway e Ingmar Bergman. Walter, o mais novo dos irmãos, mudou-se para Viena e ingressou em uma escola para atores. Frederick embarcou em uma carreira de roteirista, na Alemanha, de onde partiu após assistir à estréia de um seus filmes, em Berlin, e descobrir que Goebbels tinha ordenado a remoção de todos os créditos com nomes judeus da fita. Foi para Los Angeles e encontrou trabalho na Columbia Pictures, estabeleceu-se na praia com sua mulher e criou duas filhas. Roteirista produtivo, teve, inclusive, um de seus trabalhos indicado para o Oscar de melhor filme em 1938.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol de Hollywood lançou seus encantos sobre os filhos dos imigrantes do leste europeu, principalmente durante a fabulosa década de 1950. Gidget passou a despender todo seu tempo livre na praia - depois da escola, depois do trabalho, ou quando sua família visitava amigos da colônia judia de Malibu. "Eu e meu pai caminhávamos até a praia", lembra, “e eu lhe falava a respeito de todos os surfistas e da vontade que tinha de escrever um livro. Foi então que ele sugeriu ‘por que você não me conta essas estórias e eu as escrevo?’. ‘Ok’, concordei”.&lt;br /&gt;Gidget se tornou musa do próprio pai, narrando-lhe contos sobre bitchin' surf (nota de tradução - algo como surf radical, eu acredito), morras gigantes que vinham do japão e de como escapava da morte após vacas impressionantes. Deslumbrado, Frederick prestava total atenção à linguagem de sua filha (que tinha o inglês como primeira língua. A dele era o alemão). Com permissão dela, ouvia, inclusive, suas conversas telefônicas. Totalmente envolvido pelo assunto, Frederick escreveu o livro em seis semanas, transformando as estórias e conversas de Gidget em um elegante romance, publicado em 1957. A obra refletia as preocupações daquele tempo, da bomba atômica a Fats Domino, apesar de um tema ser o dominante: a paixão de Gidget pelas ondas do mar. &lt;br /&gt;"O grande Kahoona", a personagem de Gidget no livro explica, "me mostrou, na primeira vez, como me ajoelhar, levantar os ombros e puxar o corpo, para rapidamente me levantar, com um pé atrás e outro mais na frente em apenas um movimento. Coisa bem complicada. E então, quanto mais eu tenho a manha de pegar onda, mais eu ficou louca para surfar e quanto mais louca eu fico, com mais afinco eu me dedico". Esta é uma das melhores descrições do ato de surfar que eu já li e apenas gostaria de ter lido isso antes, quando era uma garota que brincava com pedaços de madeirite nas ondas nojentas do lado Erie.&lt;br /&gt;No final deste encantador conto de verão, enquanto Moondogie confrontava Kahoona por ciúmes, Gidget voava em sua prancha. Era um clássico dia de bitchin' surf e, realmente, quebravam altas e grandes ondas. Em um momento épico que se perdeu nas incontáveis versões e remontagens para cinema e tv, naquela passagem que transformou este livro em uma espécie de O Apanhador no Campo de Centeio (dêem uma googlada e descubram que livro é esse) para meninas, Gidget ignora os avisos de seus amigos e continua remando para o outside. Desafiando as convenções sociais – ao não voltar para o santuário da terra firme e para sua vida de classe-média – e sem qualquer interesse pelo o quê lhe aguardava nos próximos anos, tudo o que ela queria naquele instante era surfar, segura de que qualquer que fosse seu futuro, ela sempre estaria entre os melhores. "Arrepia, Gidget", gritavam os rapazes enquanto ela descia mais uma. "Arrepia, Gidget". E ela arrepiava mesmo.&lt;br /&gt;Então, bem antes da onda feminista das décadas seguintes, o livro leva a uma conclusão radical, nunca transmitida por qualquer uma das outras versões de “Gidget”: a percepção da personagem de que nunca esteve apaixonada por Moondogie ou por Kahoona - ela era demais para previsíveis garotos. O que ela realmente amava era sua prancha e o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto terminou seu pequeno surf-romance, Frederick mostrou-o para Paul, que o detestou e mandou o irmão procurar outro agente. Frederick, então, procurou William Morris e um contrato de lançamento foi imediatamente fechado, incluindo os direitos de filmagem, que foram vendidos à Columbia por US$ 50 mil. Frederick deu 5% a Gidget (ato que, hoje em dia, seria chamado de compra dos direitos de uso da história). &lt;br /&gt;O livro estourou alguns meses antes do famoso Lolita, de Vladimir Nabokov – outra estória escrita por um imigrante europeu que também trazia uma menina adolescente como protagonista – e comparações favoráveis a Frederick foram publicadas. A crítica aclamou o trabalho original de Kohner que trouxe à tona uma curiosa subcultura, que também surpreendia pela quantidade de gírias americanas aprendidas pelo escritor estrangeiro. O surf explodiu muitos anos depois; quem melhor para divulga-lo do que o próprio pai da fada marinha Gidget, um homem que fugiu da Europa Central e foi hipnotizado pelas ondas e por aqueles que as cruzam em busca da liberdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto passeava pela cozinha de Gidget, ela me falava de um segredo a ser revelado: seus diários e álbuns de fotografias – os cálices sagrados da cultura contemporânea do surf – estavam dispostos sobre a mesa. Ela os trouxe de um esconderijo secreto antes de minha chegada. Além de surpresa, eu estava um pouco nervosa, afinal, que gênio sairia desta lâmpada depois que eu abrisse aquelas capas?&lt;br /&gt;“22 de julho de 1956.” Gidget lia, “Fui para praia hoje de novo. Eu amo aquilo lá. Caí três vezes mas peguei apenas uma onda. Sentamos todos no ‘buraco’, fumando e bebendo. Deus impediu que meus familiares me vissem ali (Gidget alega que, apesar de possuir e estar presente em várias fotos do “buraco”, não lembra de ter bebido alguma vez).&lt;br /&gt;Ela briu um dos álbuns e passeou pelas páginas de fotos em preto e branco até que algo atraiu sua atenção. “Oh, meu deus”, disse, “olha isso”. Era uma bela foto do “buraco”, que não passava de uma área mais baixa da praia, onde ela costumava se sentar e fumar na companhia de Mickey Dora, Tubesteak e outro surfista legendário chamado Johny Fain. Era o tipo de foto pela qual qualquer colecionador arriscaria a vida. “Ouça isso”, falou, cada vez mais empolgada com as memórias que aquelas imagens ressuscitavam.&lt;br /&gt;“16 de junho de 1957. Cara, hoje o dia foi demais. Todo mundo estava na praia. Peguei altas ondas e todo mundo viu”. Ela me sorriu e passou para o próximo álbum. “3 de agosto de 1957. Hoje tinha altas. Nem pude acreditar. Peguei umas boas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cartão de visitas, que caiu do meio das páginas, continha o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The Glen&lt;br /&gt;Ligue ou apareça quando quiser.&lt;br /&gt;937 No. Beverly Glen&lt;br /&gt;GR 9-6945&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Oh, meu deus”, repetiu Gidget, estudando o cartão enquanto era transportada para a cena. “Isso veio daquela famosa festa no The Glen, quando todos baixaram...” [continua na próxima semana]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-6706665559878045899?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/6706665559878045899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=6706665559878045899&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/6706665559878045899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/6706665559878045899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2007/09/me-do-surf-2-parte.html' title='A Mãe do Surf - 2ª parte'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-7347265036417311022</id><published>2007-09-09T22:44:00.001-04:00</published><updated>2008-03-14T22:44:40.670-04:00</updated><title type='text'>A Mãe do Surf - 1ª parte</title><content type='html'>Quem gosta mesmo de surf e conhece um pouco da história do esporte, sabe de cor o nome de vários caras pioneiros, dos desbravadores, daqueles que inovaram e foram os pais do surf como ele é hoje. Pouquíssimos, no entanto, conhecem a mãe do surf. Os parágrafos abaixo compõem uma tradução não muito livre do texto intitulado The Real Gidget, de Deanne Stillman, publicado no livro Surf Culture, The Art History of Surf. Este post será divido em dois e esta é a primeira parte. Se você surfa, conheça, a seguir, a sua mãe.&lt;br /&gt;_______________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;B&gt;&lt;I&gt;O nome do restaurante Taco Bell de Chihuahua é Gidget, que é o que está escrito na placa do banheiro feminino do restaurante Tres Hombres, no Hawaii. Uma cozinheira, na internet, diz chamar-se Gidget, o Malibu Chicken da Califórnia oferece um sanduíche com este mesmo nome e a Barneys tem uma linha de batons também com o título Gidget. Que é ainda o nome de uma stripper da tv a cabo. E a banda sul californiana Suburban Lawns invoca a mesma entidade na cancão "Gidget goes to hell".&lt;/I&gt;&lt;/B&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma pessoa que, ao ouvir a palavra Gidget, seja no nome de alguém, seja em algum produto, tem reações as mais diversas. Algumas vezes, ouvir este nome lhe provoca gargalhadas, em outras, amargas recordações. Há momentos em que essa pessoa tem vontade de processar um ou outro, o que acaba não fazendo simplesmente por não topar advogados. Mas na maioria das vezes, o que ela realmente sente é cansaço, exaustão que lhe deixa em silêncio. Esta pessoa é Gidget – não uma das sete atrizes que já interpretaram a serelepe gatinha de praia que ocasionalmente surfava e que, geralmente, se limitava a correr atrás dos rapazes – mas a Gidget verdadeira, cuja vida deu origem a uma nova cultura e a toda uma variedade de produtos, muitos com seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci Gidget em 1986, quando escrevia para a série de tv The New Gidget, juntando-me à legião de pessoas que por décadas espelharam-se na sua vida. Eu mantinha como uma das leis da minha carreira profissional nunca associar-me a qualquer projeto que contivesse o termo The New no título, mas como estava quebrada, recém-separada e vivendo a base de miojo, não tinha muita escolha.&lt;br /&gt;E logo descobri que tinha muita coisa a aprender, precisaria de muita bagagem para poder escrever este programa. Afinal, The New Gidget era a ponta de uma extensa linhagem de muitos outros produtos. Tratava-se da seqüência de outra série (Gidget) que havia se originado em um filme (Gidget goes to Rome) que, por sua vez, era baseado em outros três surgidos a partir do primeiro de todos os Gidget, um filme peculiar estrelado por Sandra Dee e seus decotes "cadillac-fin". Até esse não era tão original assim, já que era uma adaptação do livro Gidget, The Little Girl with the Big Ideas. Escrito pelo pai de Gidget, este romance era baseado nas aventuras praieiras que a verdadeira dona do nome viveu em Malibu, durante a década de 1950.&lt;br /&gt;Um dia, um dos produtores da série em que trabalhava entrou no meu escritório acompanhado por uma morena baixinha, quarentona e atraente, que vestia calças coladas e um top. "Esta é a Gidget", disse ele. "Essa Surfava mesmo". Eu a vi e arrisquei um inseguro aceno. Como membro desse aparato que tinha como função gerar uma série longa de tv feita de piadas baseadas em expressões aê-só-irado-bróder-uhuu, coisas sem muito compromisso, de repente cai na real. Descobri que eu teria era que reinventar a vida de uma pessoa de verdade, uma vida que já havia sido reinventada incontáveis vezes. Eu realmente não contava conhecer a fonte do meu trabalho, a mesma que o escritor de surf Craig Stecyk disse haver passado pelo "o mais bem-sucedido e duradouro episódio de exploração adolescente desde Joana D'Arc".&lt;br /&gt;Gidget me pareceu estar desconfortável também. Tentei imaginar como ela poderia se sentir a respeito de todo essa iniciativa boba. Como seria conhecer pessoas que ganhavam a vida inventando estórias sobre um personagem holiudiano para quem ela havia emprestado seu próprio nome? &lt;br /&gt;Então, ela me devolveu um rápido "oi". "Fora da praia, ela é conhecida como Kathy Kohner Zuckerman", continuou o produtor. "Não, me chame de Gidget", disse ela rapidamente, dando ênfase ao nome e deixando ao mesmo tempo a sala. Situação chata, alguém tentou mudar de assunto, o produtor pediu desculpas e, saindo, me ofereceu um "talvez, outro dia" como consolo.&lt;br /&gt;Inesperadamente, meu trabalho tomou uma nova dimensão, tornando-se até interessante. Seria Gidget da religião hebraica? imaginava eu, enquanto observava seus sobrenomes. Tive certeza de que a surfista mais famosa dos Estados Unidos era, na verdade, uma judia, e soube ainda que a rainha das praias californianas - por tanto tempo consideradas domínios de belos louros e louras - tinha uma história de família que incluía a fuga da Europa – e dos nazistas loucos pela pureza ariana – e o encontro com o venerado sonho americano da busca pela felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sempre acreditei que o escritor deve ir às origens de qualquer assunto, decidi que era hora de ler o obscuro livro de Frederick Kohner, o Pai de Gidget. Estranhamente, não havia uma única copia dele na Columbia, o estúdio no qual trabalhava e que já vinha há décadas produzindo coisas com a marca Gidget. Levei semanas procurando. Parecia até que o conhecido romance de surf estava há tempos fora de catálogo, como uma mina de ouro que já se houvesse se esgotado. A biblioteca municipal de Los Angeles não o possuía, tampouco a de Beverly Hills. Nos sebos da cidade também não havia nem sombra dele, só de alguns trabalhos menores de Kohner, como Kiki e Montparnasse and Cherr Papa (ambos, contos a respeito de meninas adolescentes e precoces). Quanto mais árdua se tornava a busca, maior era a minha ansiedade. Finalmente, encontrei a mensagem na garrafa que por tanto tempo esteve à mercê da maré: um livro fininho, de páginas amarelas, que há seis anos ninguém mexia, estava escondido sobre uma pilha de outros trabalhos de autores cujos nomes começavam com K, nas prateleiras da biblioteca pública de Santa Mônica, a cinco quadras da praia. Era como se as ondas o tivessem deixado ali. A pivete, na capa, atraiu minha atenção, convidando-me para me unir a ela e a dois surfistas magrelos sob as palmeiras que compunham o cenário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estou escrevendo isso", começa o livro, "porque uma vez ouvi que, com a idade, tornamo-nos cada vez mais esquecidos e eu seria a mais desconsolada das mulheres se por qualquer motivo eu esquecesse o que aconteceu neste verão". Na pessoa de uma adolescente que descobre e se apaixona pela vida, utilizando um vocabulário até hoje usado pelos surfistas, Kohner descreve o verão em que Gidget completa 16 anos e aprende a surfar. O resultado é essa história tão contada e recontada que acabou por atrair incontáveis malucos para a costa sul californiana, enfezando os surfistas locais que pensavam serem privadas as ondas da região.&lt;br /&gt;Esperei alguns meses e, mesmo após a The New Gidget ser cancelada, busquei manter contato com sua progenitora. Durante as conversas, que se prolongaram por anos, Gidget revelava apenas curtos fatos de seu passado no surf. Sim, ela era judia, e daí? Não, ela nao surfava mais, por quê o faria? Sim, ela estava casada e tinha dois filhos que, ocasionalmente, surfavam. Dizia que gostava dos filmes sobre Gidget, que as séries de tv - todas as três - eram até boas, e que tinha orgulho de ter sido matéria-prima do livro de seu pai e do sucesso que ele obteve. E de repente, ela passava a me entrevistar: "Por que você me faz todas estas perguntas? O que todo mundo quer de mim? Eu era apenas uma garota que surfava, só isso". E, então, o diálogo se encerrava.&lt;br /&gt;Então, há alguns anos ela me chamou para sua casa. "Você pode vir agora?", ela me perguntou com um certo ar impaciente, de menina. "Estou completando 60 anos. Está na hora de falar sobre Malibu".&lt;br /&gt;Malibu, a que ela se referia, resumia todos os aspectos da vida em Malibu Point de 1956 até 1959. Neste sagrado templo do surf, figuras legendárias como Mickey "Da Cat" Dora dançavam sobre as ondas e para as lendas. Mysto George, The Fencer, Moondoggie, Golden Boy, Scooter, Meatball, Meat Loaf e Tubesteak adotaram a precoce adolescente e a apelidaram, como faziam uns com os outros, baseados nas suas mais notáveis características: ela era uma menina (GIrl) – uma das poucas que surfavam naquele tempo – e media um pouco mais de um metro e meio, ou seja, era uma anã (miDGET). Nasceu uma sereia: Gidget.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visitei a modesta casa de Gidget, um sítio em um calmo vale em Pacific Palisades, a minutos da praia. Ela e Marvin Zuckerman, seu marido dez anos mais velho, estudioso de idish – idioma judeu da Europa Central – e coordenador da universidade local, viviam naquele lugar desde que se casaram, em 1964. Quando se conheceram, Marvin não conhecia Gidget - o filme –, tampouco tinha familiaridade com a cultura praieira. "Cresci em Nova York", disse ele. "Sou um acadêmico. Só assistia a filmes estrangeiros". Até aquele momento, ele ainda não havia tentado surfar mas Gidget o ensinara a esquiar, atividade que praticavam freqüentemente no Sun Valley, em Idaho, durante as férias familiares. Seus dois filhos já eram adultos, apesar de Gidget ainda se referir a duas camas dos quartos vazios como a do Phil e a do David.&lt;br /&gt;Ainda elegante e em forma, Gidget me guiou por sua casa que, à primeira vista, parecia de um colecionador de coisas antigas do velho mundo. Havia muitos livros e um piano (outro hobby da dona da casa). E no corredor, me deparei com uma grande foto em preto e branco de uma linda menina na praia com sua prancha, vestindo um sorriso inocente e o modesto maiô dos anos 1950. "Esta sou eu", disse ela orgulhosa. Nesse momento, a Gidget que me falava parecia tão feliz quanto a da foto. Neste instante ela se tornara uma Gidget diferente daquela que conheci na Columbia. "Esta é a foto que saiu na Life Magazine".&lt;br /&gt;Eu reconheci aquela foto embora não lembrasse quando e onde a havia visto. Era uma imagem daquelas que resumem tão perfeitamente um mundo, uma cultura, que não restava mais nada a dizer. A Gidget daquela foto era a mesma que inspirou o surgimento de um novo estilo de vida litorâneo, aquela que deu origem a tantos projetos e produtos e que agora me carregava através de seu passado. Nos dirigimos ao pátio enquanto ela me contava como tudo começou. "Vivíamos em Bretwood", disse. "Minha mãe costumava dar carona para alguns garotos vizinhos até a praia. Eles colocavam suas pranchas sobre o carro. Eu ia junto. Queria surfar. Parecia tão divertido. Enchia o saco de todos pedindo que me ensinassem. Me lembro de perguntar ao Scooter se o estava incomodando. “Não, só quando respira”, disse ele. Havia o Tubesteak, que vivia em uma cabana. Alguns outros estavam sempre por ali, sempre famintos. Acredito que a maioria viviam por ali mesmo".&lt;br /&gt;A região da cabana citada por ela era um desses locais santos do surf. Assim como também era The Pit (o buraco). A simples menção deste lugar entre os surfistas, especialmente entre aqueles que corriam Malibu nos anos 1950, provoca lembranças de feitos e personagens em uma espécie de mitologia que uniu para sempre a tribo das ondas. Em suas peregrinações à praia, Gidget levava uma cesta de piquenique cheia de sanduíches que costumava trocar com Tubsteak pela utilização da sua prancha. Não demorou muito até ela comprar a sua própria por 35 dólares de Mike Doyle, um conhecido shaper local. "Gostaria de ainda ter essa prancha", lamentou. "Era azul e tinha um totem desenhado nela. Hoje, ela valeria uma pequena fortuna". Segundo Craig Stecyk, Gidget subestima o seu valor. "Se somarmos todo o comércio gerado pelos filmes e séries de tv", alertou, "sem mencionarmos toda a indústria do surf que irrompeu nos anos 1960, temos um império bilionário armado quase que inteiramente nas costas de Gidget".&lt;br /&gt;E realmente, a não ser pela grana gerada pela utilização do nome Gidget em uma série de negócios (que não é tanto assim, já que se tratavam de acordos feitos na década de 1950, quando os valores eram minúsculos comparados aos de hoje), não se pode dizer que a Família de Gidget está com a vida garantida economicamente. Mesmo assim, nas últimas 4 décadas, a cultura do surf e da praia gerou negócios milionários para um grupo de surfistas do sul da Califórnia. Alguns deles vêem graça quando alguém sugere a responsabilidade de Gidget pelas ondas com as quais eles lucram, outros simplesmente ignoram o papel dela e de seu pai na divulgação da cultura do surf mesmo entre pessoas que vivem longe do mar ou que não têm qualquer intimidade com ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-7347265036417311022?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/7347265036417311022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=7347265036417311022&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/7347265036417311022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/7347265036417311022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2007/09/me-do-surf-1-parte.html' title='A Mãe do Surf - 1ª parte'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-221161487179045257</id><published>2007-07-28T22:03:00.001-04:00</published><updated>2008-03-01T23:36:48.299-05:00</updated><title type='text'>Nossos governos na TV</title><content type='html'>1) Noticiário de duas semanas atrás sobre os primeiros R$ 210 milhões (de um total de R$ 1 bi) que o governo do Estado vai receber do Banco do Brasil por conta da incorporação do Besc. Aí o apresentador foi discriminando o que o se vai fazer com essa primeira parcela: R$ 60 milhões vão para a segurança - imagens de viaturas policiais passando; R$ 10 milhões vão para a saúde - imagens de gente largada pelos corredores dos hospitais; R$ 10 milhões vão para a educação – imagens de criancinhas comendo a gororoba da merenda; 50 milhões para infra-estrutura - imagens de asfaltamentos e de cidadezinhas aí pelo interior, e os restantes 80 milhões vão para.... para....  a reforma da Ponte Hercílio Luz. Porra, mais de um terço da verba vai pra ponte (E olha que semana passada morreram 3 nos hospitais de Floripa por falta de atendimento)! O que já botaram de grana nessa reforma (que já se arrasta por mais de 20 anos) daria pra construir umas 4 outras pontes. &lt;br /&gt;Antes eles disfarçavam, pelo menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Noticiário da semana passada sobre a visita da Delegada Vergara à Câmara Municipal de Florianópolis por conta da Operação Moeda Verde. Ela estava lá sentada, os vereadores fingindo que não sabiam as respostas para o que perguntavam e ela fingindo também que não sabia que eles sabiam. Bom, toda aquela encenação rolando e eu só prestava atenção em uma coisa, um objeto disposto à frente da policial: um copo de cristal com um brasão do município. O pessoal da nossa câmara, a PÚBLICA, que, diga-se de passagem, é uma das mais caras do país, tem entre seus mais de 200 (é isso aí mesmo, mais de DUZENTOS) funcionários pessoas que se ocupam de organizar licitações (pelo menos deveria ser por licitação) para a compra de copos com o brasão do município impresso.&lt;br /&gt;O último a sair, que roube a lâmpada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-221161487179045257?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/221161487179045257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=221161487179045257&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/221161487179045257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/221161487179045257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2007/07/nossos-governos-na-tv.html' title='Nossos governos na TV'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-6428361798258571218</id><published>2007-07-25T17:08:00.000-04:00</published><updated>2007-07-25T21:04:19.938-04:00</updated><title type='text'>Surf Music II</title><content type='html'>Em um daqueles dias de sol de outono, quando já está meio frio mas a luz é perfeita. Tás vindo do sul da Ilha, após horas de matadeiro e de almoço em algum buteco do Pântano do Sul. São 5 horas da tarde e o sol está se pondo.&lt;br /&gt;A loura, uma turista sueca de quase dois metros que conheceste na noite anterior, vai agarrada ao teu pescoço. Na altura do Morro das pedras, ela se depara com todo aquele visual, puxa a tua cara e diz com aquele sotaque: "Acho que te amo". Aí, tu olhas pra ela e falas: "quié isso, galega, olhó...&lt;br /&gt;E o som que rola no toca-fitas está &lt;a href="http://media.putfile.com/Pat-Metheny-Group---Are-You-Going-With-Me" target="_blank"&gt;AQUI &lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-6428361798258571218?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/6428361798258571218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=6428361798258571218&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/6428361798258571218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/6428361798258571218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2007/07/surf-music-ii.html' title='Surf Music II'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-8023091721028030645</id><published>2007-06-18T16:50:00.002-04:00</published><updated>2009-05-15T17:18:57.911-04:00</updated><title type='text'>Tudo que a manezada diz vira lei.</title><content type='html'>Gostaria que alguém me esclarecesse em que baseiam-se os pescadores para acusar de "espanta-tainhas" o movimento dos surfistas na arrebentação. Baseados em que trabalho científico, em que relatório biológico, eles apontam o surf como a causa da baixa safra no Moçambique? Será que simples pranchas e braços em meio ao caos que já é a arrebentação das praias (que são públicas, diga-se de passagem) espantam mais os peixes do que  barcos, remos, motores e redes? Gostaria de saber também quantas pessoas vivem, hoje, exclusivamente da pesca artesanal na Ilha de Santa Catarina e a importância da tainha no sustento desse pessoal. Não acredito que esses dados representem algo importante o suficiente para justificar a paralisação das atividades de dezenas de milhares de praticantes do surf - o segundo esporte mais praticado no Brasil - em Florianópolis. &lt;br /&gt;Mais do que um meio de sustento, a pesca artesanal passou a ser, hoje, uma atividade cultural e os esforços pela sua preservação se justificam. Mas infelizmente, os tempos mudam e como tudo mais, a pesca artesanal também precisa se adaptar a estas mudanças. Afinal, o surf só tende a crescer e a pesca artesanal, como a caça, como a coleta de frutos na mata, deve ir desaparecendo aos pouquinhos, pelo menos como base do sustento de alguém. &lt;br /&gt;O negócio é que tudo que os “manés” dizem vira lei. Ninguém pode com esses caras, não tem policia, não tem governo, não tem ciência, não tem jiu-jitsu, nada. Grande parte da responsabilidade disso acontecer pertence aos manés urbanos e aos forasteiros que endeusam o nativo das praias, que acham tudo que ele faz lindo, e engraçadinho. Daí, dá nisso: pescador expulsando gente da praia, neguinho entrando na casa dos outros atrás de boi e etc.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-8023091721028030645?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/8023091721028030645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=8023091721028030645&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/8023091721028030645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/8023091721028030645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2007/06/tudo-que-manezada-diz-vira-lei.html' title='Tudo que a manezada diz vira lei.'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-116163759472235782</id><published>2006-10-23T16:53:00.000-04:00</published><updated>2006-10-23T17:06:34.736-04:00</updated><title type='text'>Surf Music</title><content type='html'>Experimentem esse link: http://www.phys.uu.nl/~leow/Dave%20Brubeck/Time%20Out/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nele estão todas as "faixas" do inesquecível e básico album&lt;i/&gt; Time Out &lt;/i&gt;do Dave Brubeck. Baixem cada  uma delas, depois ponham &lt;i/&gt;Take Five &lt;/i&gt;para tocar. Aí, fechem os olhinhos, imaginem aquela cena do último DVD que veio na revista, na qual o "Queres Leite" arrepiava. Não é a melhor das trilhas sonoras?&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;____________________________&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;i/&gt; Obs.: Todos sabemos que é ilegal fazer downloads de músicas na internet. Então, baixem essas, experimentem uma por uma, e depois deletem-nas de seus discos rígidos. Se gostarem, dirijam-se à loja mais próxima em busca do cd. E tem mais: não fui eu quem disponibilizou essas coisas na rede. Apenas as encontrei. &lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-116163759472235782?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/116163759472235782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=116163759472235782&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/116163759472235782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/116163759472235782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2006/10/surf-music.html' title='Surf Music'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-116136346450713242</id><published>2006-10-20T12:55:00.001-04:00</published><updated>2008-10-22T10:25:44.330-04:00</updated><title type='text'>Lendas do Surf Suburbano I – O surf cafajeste de Paulo Picareta.</title><content type='html'>Lá no Estreito havia um cara, um surfista, que levava uma vida bastante curiosa. Não adianta, não vou dizer o nome dele mas vamos chamá-lo de Paulo Picareta. Ele tinha uma apelido mais ou menos igual a esse e quem o conheceu vai lembrar na hora. Eu não tinha nenhuma amizade com essa figura, mas soube de muitas das suas histórias sobre quais não posso garantir total veracidade, é claro. &lt;br /&gt;Vamos, então, descrevê-lo: cabelo clareado (com parafina, tinta, sei lá), tatuagens enormes (incluindo o indefectível dragão), sempre bronzeado, sempre cheio de gatinhas e sempre, sempre duro de grana. Essa última característica era a que fazia Picareta – num ato de desespero – se virar de qualquer maneira e, por isso, foi ela que lhe deu esse apelido carinhoso. Mas, antes de mais nada, o Paulo era uma pessoa popular – todo mundo conhecia – apesar de ele, no meu entender, não ter muitos amigos. Primeiro porque ninguém o levava muito a sério, segundo porque ele não tinha concentração suficiente para amizades. Acredito mesmo que ele não conseguiria prestar a atenção em qualquer coisa por muito tempo, muito menos numa pessoa. A não ser, é claro, que essa pessoa fosse do sexo oposto. Nesse caso, Picareta poderia dedicar até algumas horas de devoção. Era uma criatura simpática, o Picareta, ninguém pode negar. &lt;br /&gt;Quanto ao surf, bem, aí é que a coisa pega: o nosso Picareta era calhorda, não surfava nada. O que era compreensível já que, pobre, não tinha muitas condições de ir à praia constantemente e, diziam os maldosos, tinha um pouco de preguiça de passar arrebentações, remar correntezas, essas coisas que – eu compreendo – são chatíssimas. É, ele não pegava onda. Mas fazia onda que era uma beleza. Tanto que, quem não conhecia esse detalhe, quem nunca o havia visto surfar ou tentar fazê-lo, apostaria na ferocidade do seu surf. Tenho certeza que até ele mesmo acreditava. Porque só dessa forma, só acreditando muito no que diz, se consegue não deixar dúvidas em ninguém.&lt;br /&gt;Poucas vezes ele cometeu falhas que comprometessem seu cartaz. E nessas poucas vezes, a falha resultou dessa autoconfiança maluca que ele tinha. Esse negócio de acreditar nas próprias fantasias, não tem? Um desses momentos se deu quando, se eu não me engano no Morro das Pedras – praia onde o pessoal do Estreito é local – estava acontecendo um campeonato entre os estreitenses. O Picareta, que estava ali só de passagem, não se conteve quando a rapaziada, todos conhecidos, botou na sua cabeça que o campeonato estava prá ele. Não foram necessários muitos “vai Paulo, vai Paulo” para ele entrar em um transe alucinógeno-vaidoso e esquecer que não tinha surf suficiente nem prá enfrentar o Morro, quanto mais prá um campeonato. E ele se inscreveu. Quando deu por si, “Inês já era morta”.&lt;br /&gt;Pior é que o mar não estava pequeno e acredito que ele só se tocou da cagada quando teve que furar a primeira espuma, aquela que esfriou a sua cabeça. Porque, quem o viu entrando n’água, diz que suas feições sérias pareciam indicar que a bateria estava no papo mesmo. Mas após esse primeiro espumeiro, esse que o trouxe de volta à areia e à vida real, posso imaginar o conflito mental que se estabeleceu em cima da sua prancha, o medo do Morro das Pedras grande misturado à vergonha de mal conseguir surfar, nem ficar em pé direito e, acima de tudo, o medo de ser descoberto. Meu deus, Picareta teve que botar todos os seus criativos neurônios prá batalhar uma saída enquanto se esfalfava brigando contra a arrebentação. Essa, a arrebentação, ele passou se valendo mais da boa forma física que mantinha – era um grande nadador da praia do Cagão – do que da experiência de surfista. Quando ele chegou lá fora e sentou todo desequilibrado na prancha é que, imagino, olhou pro céu e perguntou: “e agora?”.&lt;br /&gt;E a solução abençoada veio. O raciocínio simples e, ao mesmo tempo, espertíssimo deve ter sido o seguinte: se não posso revelar que não surfo nada, o jeito vai ser.... não surfar. E assim fez Picareta, ficou lá fora, na segurança, remando prá lá e prá cá. De vez em quando ameaçava descer uma mas, é lógico, puxava o bico e socava o mar, como que queixando-se da falta de sorte. Detalhe é que seus adversários se empapuçaram. E assim a bateria passou, Picareta pegou uma qualquer lá – das menores, é óbvio – e veio de jacaré.&lt;br /&gt;“Dei azar, não estava me sentindo bem, aquele pão com mussi que a mãe me deu no café não me fez bem, tô cheio de gases”. Pronto, ninguém fez muitas perguntas. Alguns se solidarizaram, outros sentiram até pena da suposta situação gástrica do cara. Picareta estava salvo.&lt;br /&gt;Mais fantástico ainda é que as meninas, muitas, que visitavam o quarto do Picareta – que não só tomava café mas também morava com a mãe – diziam, pasmem, que lá existia uma estante lotada de troféus. O cara, se medíssemos pelas taças, havia sido campeão de uma enormidade de torneios, campeonatos, etc. Alguns de amplitude estadual. Como? Só havia uma explicação: mandava fazer, ou gravava ele mesmo, os próprios troféus. E com estas armas, ele “matava” as cocotas no seu quartinho. “Pôoo, Paulinho, tu já ganhou todos estes campeonatos?”, perguntava a gatinha inocente. “É, eu dou as minhas cacetadas”, dizia o Picaretaço, todo orgulhoso. O guri era um gênio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-116136346450713242?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/116136346450713242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=116136346450713242&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/116136346450713242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/116136346450713242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2006/10/lendas-do-surf-suburbano-i-o-surf.html' title='Lendas do Surf Suburbano I – O surf cafajeste de Paulo Picareta.'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-116114009386974752</id><published>2006-10-17T22:45:00.002-04:00</published><updated>2011-01-20T14:16:24.970-05:00</updated><title type='text'>Ensaio sobre o localismo na Ilha de Santa Catarina</title><content type='html'>________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto a seguir, colaboração do fiel leitor Edu Faria, tinha como destino uma revista. Mas, como não foi aprovado, acabou aqui, no Blog do Pierre, espaço aberto para os pouco talentosos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i/&gt;Um dos resultados do crescimento populacional em Florianópolis é o surgimento de um certo desconforto entre os surfistas nativos, assustados com a quantidade de gente a disputar ondas nas praias da Ilha. Assim, ao mesmo tempo em que existe uma comunidade no Orkut denominada “quero ir morar em Floripa”, existe outra composta basicamente por nativos da cidade, entitulada “Fora Haole”. Casos de violência já aconteceram e foram pauta da imprensa local e até do Jornal Nacional. Seria o localismo na Ilha de Santa Catarina assim tão assustador?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EM SANTA CATARINA, como em outros cantos do Brasil, as praias são públicas. Esta é a premissa básica que deve reger o comportamento de todos os que frequentam as beiras de mar deste Estado. Depois desta regra fundamental e oficial, existem outras não menos oficiais que também regulam o comportamento dos praieiros.&lt;br /&gt;Para os que preferem embarcar, a Marinha mantém para todo o litoral brasileiro várias normas de circulação de barcos, lanchas, jetskis, canoas e tal. São exigidos registros, documentação, autorizações, enfim, uma burocraciazinha básica. Aqueles que vão pescar, também precisam seguir uma série de códigos que controlam desde horários e locais para se jogar linha e anzol, até o direito de deixar redes espalhadas pela costa. Não se pense que qualquer um pode sair mar a fora largando redes. A coisa não é tão simples.&lt;br /&gt;Em algumas das praias mais concorridas de Florianópolis existem placas divulgando regras e horários para a prática de esportes de areia como o frescobol, o futebol e o vôlei. Não que os praticantes as obedeçam – eles gostam mesmo é da muvuca –, mas que elas existem, existem. De acordo com outra norma que a rapaziada não dá muita bola,  animais de estimação são proibidos na areia mas, mesmo assim, esse pessoal que não tá nem aí sempre traz seus totós e lulus para tomar um sol e se refrescar. A lei está de olho até na menina que quer apenas um bronzeado: topless, por exemplo, é atentado ao pudor e dá até cadeia.&lt;br /&gt;Com tantas leis e regras institucionalizadas controlando o que fazemos no litoral, é incrível que até hoje não se tenha qualquer norma que organize a prática do surf no Brasil. É impressionante que exista a preocupação com bolinhas de frescobol perdidas mas nenhuma apreensão com a principal atividade náutica praticada neste pais. Não que fossem necessários registros e números para as pranchas, nem arraiz (a carteira de motorista dos navegantes) para todos os surfistas mas certamente algumas regrinhas de conduta, de convivência e de limites seriam bem vindas.&lt;br /&gt;Tanto são necessárias que, na falta dos oficiais, os próprios surfistas vêm, há décadas, criando, implementando e seguindo – ou, em muitos casos, impondo – os seus próprios códigos de conduta para a atividade, códigos estes que, segundo eles, seriam universais, imprescindíveis e todos que se jogam com uma prancha sobre as ondas, sem exceção, têm que obedecer. Um exemplo: em algum momento da história do esporte, alguém disse que aquele que dropa mais dentro da onda tem o direito sobre ela.  Outro que se aventurar na frente deste que tem a prioridade estará "rabeando" e, assim, quebrando uma destas regras naturais do surf. Quem surfa tem que conhecer esta lei, mesmo que ela não esteja escrita em nenhum lugar, mesmo que nenhum poder legislativo governamental a tenha decretado.&lt;br /&gt;É em outro princípio deste código de cavalheiros que se fundamentam alguns nativos dos mais diversos surfspots ao redor do mundo quando decidem quem pode e quem não pode surfar as principais ondas de um lugar. O preceito é chamado de localismo e se resume em um ponto: os nativos têm prioridade sobre as ondas. Os haoles (termo havaiano que ajuda a evidenciar a internacionalidade da coisa) só podem, quando podem, pegar as sobras. E a quem infringir este regulamento caberá repreensão que, dependo da poder de reação do transgressor, poderá se transformar em um convite para se retirar da água ou da praia, poderá também se manifestar na forma de carros riscados, pneus furados, agressão generalizada e por aí vai.&lt;br /&gt;Essas coisas independem do nível de desenvolvimento sócio-econômico do país onde acontecem e se equivalem em violência por todas as longitudes e latitudes do globo: no Havaí, faz tempo que os Black Trunk arrepiam na truculência. Na Austrália, recentemente, um surfista foi surrado covardemente por uma turba de locais só por ser brasileiro, e outro patrício, na Califórnia, precisou chamar a polícia para, pelo menos uma vez, poder entrar na água. O mais incrível é que tudo isso acontece à margem das leis do Estado. Trata-se de um poder paralelo, de um outro estado ou, ainda, da ausência dele. &lt;br /&gt;Em Florianópolis a coisa não poderia ser diferente. Destino nas últimas décadas de migrantes oriundos de todo Brasil, principalmente gaúchos e paulistas – dentre eles muitos, mas muitos surfistas – a cidade convive hoje com a intensa especulação imobiliária, com a devastação ambiental e com a, digamos assim, total descaracterização sócio-cultural ou, em outras palavras (essa é a principal queixa dos nativos), o engolimento da cultura e da personalidade nativa (seja lá o que isso signifique) por outras alienígenas migrantes. &lt;br /&gt;E dentro da água, naturalmente, a coisa também virou um inferno. Gritos, xingamentos, pessoas expulsas d’água, fatos que viraram manchetes na mídia local e até na de âmbito nacional. Apontou-se a existência de um movimento organizado intitulado “Fora Haole”, que abrigaria mais de 2 mil manés (como os nativos se intitulam) e que seria o responsável por esses atritos com surfistas visitantes, por estas rusgas com turistas que pegam onda.&lt;br /&gt;A verdade é que o localismo praticado na Ilha de Santa Catarina teria a mesma intensidade – ou de repente é até mais brando – que o praticado em algumas praias do Rio de Janeiro, do litoral norte Paulista ou, mesmo, naquele institucionalizado na praia de Atalaia, em Navegantes, município próximo de Florianópolis, onde o fenômeno já virou tradição. O problema é que estes casos mais exacerbados a despontar na ilha contrastam com a presença de Floripa nas páginas de todos os cadernos de viagens nacionais e até nos do New York Times, destoam da imagem de qualidade de vida e segurança que a cidade divulga proporcionar a seus habitantes e turistas, não batem com a visão idílica do lugar e de seus manés tão hospitaleiros. Mesmo que os conflitos sejam pontuais, mesmo que a coisa não seja assim tão feia, a impressão que a mídia não especializada tem, ao ouvir relatos de um ou dois episódios violentos, é que há algo errado no paraíso.&lt;br /&gt;“Começamos a ver pela cidade um monte de carros com o adesivo ‘SOS PRAIA MOLE’ e notamos que quase todos tinham placas de São Paulo ou do Rio Grande do Sul. Aí, para zoar, fizemos uns 50 adesivos com a inscrição ‘SOS FORA HAOLE’, que até rimava”, lembra Alexandre Veiga, 33, surfista há 28 anos e ex-presidente da Associação de Surf da Joaquina. “Sem querer, lançamos uma idéia que fugiu completamente do controle”, lamenta Veiga. Não que o localismo não existisse antes dos famigerados adesivos. Para Alexandre Fontes, 46, vereador em Florianópolis, presidente da Federação Catarinense de Surf e praticante do esporte desde 1973, “desde que comecei a surfar, existe localismo na Ilha. Mas, como éramos poucos a praticar o esporte por aqui, nos víamos como locais de toda a cidade. Hoje, neguinho é local do Campeche, do Matadeiro, da Brava. Houve uma fragmentação”. Para Fontes, se os conflitos aumentaram, são fruto da explosão do número de surfistas nas águas ilhôas. “Há localismo por aqui como há em qualquer outro lugar do mundo onde tem ondas e surfistas. Infelizmente, isso é inevitável. Mas não existe nem nunca existiu qualquer movimento Fora Haole. Isso é pura ficção”, esclarece o presidente da Fecasurf.&lt;br /&gt;Bita Pereira, 44, surfista há mais de 20 anos e vice-prefeito de Florianópolis, nunca teve problemas com locais nervosos em qualquer praia da Ilha. Credita o fenômeno ao instinto natural que o surfista tem de preservar para si a sua praia mas diz não entender nem tolerar a violência. “Não concordo com o localismo, mas o compreendo”, explica Bita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b/&gt;O difícil é explicar&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa desabou mesmo na imprensa quando algum repórter se interessou pelo assunto e os surfistas locais tentaram explicar o que acontece. Foi aí que a porca torceu o rabo: como esclarecer a esta mídia leiga que as normas a reger o relacionamento entre surfistas são próprias e diferentes daquelas que regulam o restante das atividades humanas? Como dizer que as regras do surf transcendem às do Estado? Como alegar que quem dita as leis na hora de se ir pegar ondas são os próprios surfistas e que quem fiscaliza a sua correta aplicação também são os mesmos? Ninguém entendeu nada e os fatos foram recebidos pelos não surfistas como simples agressão a turistas, como uma ofensa a vocação turística da cidade, como pura xenofobia e como caso de polícia.&lt;br /&gt;É claro que alguns lances mais violentos são realmente casos para os policiais. São episódios que, quando inquiridos a fundo, revelam-se, muitas vezes, pouco conectados com o surf. O esporte, nestes momentos, passa a ser pretexto para as mais diversas rixas pessoais e brigas de gangues, para atos de narcisismo daquele brigão de todas as horas e para que os mais variados recalques, inseguranças e desvios de conduta de alguns – quase sempre os mesmos – sejam desaguados. Tanto é que, de acordo com investigadores do 10º Departamento de Polícia da Lagoa, que tem na sua jurisdição as praias da Joaquina e Mole, faz tempo que não se atende a reclamações envolvendo altercações entre surfistas nas praias de sua alçada. Segundo estes policiais, já houve ocorrências, obviamente, mas não existe, hoje, qualquer sinal de que elas venham crescendo em número. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b/&gt;Locais versus haoles: quem é quem na Ilha de Santa Catarina&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior dificuldade de quem tenta entender o localismo em Floripa é a definição de haole. Chega a ser engraçado porque é quase impossível caracterizá-lo. Há haoles que, depois de um curto espaço de tempo em uma praia, já se definem locais dela e passam a agir como tal. Ao mesmo tempo, há nativos que, dependendo da sua forma de agir – se pouco relacionado socialmente ou se mantém tretas com outros locais –, passam automaticamente a serem considerados haoles. Pessoas de uma praia podem ser haoles na outra que fica apenas cinco quilômetros distante. Mas na concepção dos surfistas manés, haoles mesmo, sem qualquer dúvida, são aqueles de outros estados que chegam na água falando alto e com fortes sotaques de suas regiões Estes são os genuínos.&lt;br /&gt;Nos últimos anos o termo tem até saltado do universo do surf e passado a fazer parte do vocabulário de outros setores. Daí que qualquer forasteiro, mesmo aquele que nunca tocou numa prancha de surf, já é considerado haole até por não-surfistas. Por sorte, apesar de haver um certo “orgulho mané” no ar, a xenofobia ainda não está muito difundida pela ilha.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b/&gt;Localismo versus Turismo: contra-senso&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada parece mais antagônico do que os termos localismo e turismo. Foi por isso que os mais incomodados com a atenção dada pela mídia à falta de hospitalidade dos surfistas locais em Florianópolis foram aqueles que dependem dos turistas para viver. Um dono de hotel na Joaquina reclamou já ter ouvido muitas queixas de hóspedes surfistas. “Até me chamam para acompanhá-los à praia e interceder junto aos locais”, conta o hoteleiro. Para ele, é óbvio que o localismo não é nada bom para os seus negócios e é, sim, caso de polícia. &lt;br /&gt;Não há qualquer estudo que determine o percentual de surfistas entre todos os turistas que visitam Floripa anualmente e, por isso, é impossível taxar o impacto do humor dos surfistas nativos sobre as atividades turísticas na Ilha. Mas se pode comparar: o Havaí é um dos pontos do planeta que mais atrai turistas. São ilhas que vivem exclusivamente dos visitantes que conseguem atrair. Ao mesmo tempo, aquele estado americano é também o lugar no mundo onde o localismo no surf está mais enraizado. Lá, a coisa é tão tradicional quanto dançar o hula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b/&gt;Saídas&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já dizia aquele cientista famoso: “pense globalmente, aja localmente”. Quando realizamos a primeira parte a frase, quando refletimos em termos mundiais, concluímos que parece não haver solução para o localismo, uma vez que mesmo nos países mais desenvolvidos, aqueles que contam com as polícias mais modernas e eficazes, as expulsões d’água e a pancadaria continuam correndo soltas. No entanto, a Ilha de Santa Catarina tem quem pense localmente e arrisque palpites. Para Alexandre Veiga, o homem dos famigerados adesivos “SOS Fora Haole”, os forasteiros precisam tentar entender o nativo, o seu jeito de ser, sua forma de agir e pensar, ao invés de tentar impor as suas próprias maneiras. “Nós, nativos, só queremos paz, mas isso não quer dizer que o forasteiro pode vir para cá pensando ser superior”, reitera Veiga. Já o vice-prefeito Bita Pereira esclarece que “os nativos de Florianópolis são naturalmente hospitaleiros e basta que o surfista visitante tenha bom senso e simpatia para que se sinta à vontade em qualquer praia da Ilha”. &lt;br /&gt;“O surf não tem um espaço definido, não há quadras esportivas para ele e tampouco pistas apropriadas. Daí vem a dificuldade de controlá-lo. É, com certeza, um dos esportes mais livres que existe”, poderá Xandi Fontes, da Fecasurf.  Para ele, somente a razão, o respeito e a calma podem, se não erradicar, pelo menos diminuir bastante os conflitos. “O surf é um dos esportes mais bonitos e, certamente, o mais democrático de todos. Por isso não combina nem um pouco com violência”, declara.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-116114009386974752?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/116114009386974752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=116114009386974752&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/116114009386974752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/116114009386974752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2006/10/ensaio-sobre-o-localismo-na-ilha-de_17.html' title='Ensaio sobre o localismo na Ilha de Santa Catarina'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-115984277111797161</id><published>2006-10-02T22:24:00.002-04:00</published><updated>2008-03-03T12:10:51.335-05:00</updated><title type='text'>Quase um conto de surf  - Um haole perdido em uma ilha do Pacífico.</title><content type='html'>Verão passado, um email enviado por uma amigo que vive em Pago Pago, na ilha de Tutuila, Samoa Americana, bateu aqui no meu escritório em Honolulu. Dizia que uma violenta tempestade havia destruído as pedras que marcavam o túmulo de Malua. Esse amigo achava que eu deveria saber disso já que, recentemente, eu havia conhecido a história de Malua e de sua vida insólita. A verdade é que eu vinha conduzindo uma pesquisa arqueológica em Tutuila, não muito longe de Pago Pago, quando encontrei sua tumba num cemitério abandonado. Os samoanos tradicionalmente enterram seus entes queridos perto das suas casas ao invés de, como nós, manterem áreas especiais para isso. Então eu sabia que aquelas sepulturas descuidadas que eu examinava guardavam ossos solitários de pessoas de outros lugares. Tratava-se de um cemitério de forasteiros. Sepultados lá havia marinheiros do tempo em que a marinha norte-americana administrava Samoa – entre 1900 e 1951. Estavam também ali capitães de navios civis mortos longe de casa, depois de seus navios terem se destroçado sobre os recifes que cercam a ilha; outros presentes eram um ferreiro de New England, um ex-carteiro de Pago Pago que havia sido veterano da guerra civil americana, um marinheiro que foi assassinado e que fazia parte da tripulação de um navio mercante, uma mulher que morreu em rota para São Francisco, e vários vagabundos e aventureiros dos mares. A maioria das lápides era feita de concreto e algumas contavam até com monumentos de pedra.&lt;br /&gt;Mas escondida em um canto estava uma tumba anônima, bem diferente das demais. Consistia apenas em um retângulo de pedras basálticas amontoadas, em um arranjo distinto, que lembrava a maneira com que os samoanos e outros polinésios deixavam sepultados os seus mortos no final do século XIX e começo do século XX. Eu quis saber quem ocupava este sepulcro singular e, se essa pessoa era mesmo um polinésio – como demonstravam estes arranjos funerários –, porque estava ele enterrado entre os estrangeiros.&lt;br /&gt;Quando entrei no edifício dos Arquivos da Samoa Americana, tinha poucas esperanças de encontrar algo sobre o cemitério de forasteiros, mas como todo pesquisador precisa ter entre suas ferramentas um pouco de sorte, só posso creditar a ela o mapa que encontrei contendo todos aqueles túmulos numerados. Seis décadas antes, alguém não apenas teve a paciência de registrar túmulos e respectivos defuntos, mas também, quando possível, adicionou uma pequena narrativa sobre a vida e morte de cada um.&lt;br /&gt;Voltei para o cemitério com o mapa e nele chequei a posição da sepultura misteriosa. Esta estava marcada com o número 5 e era ocupada por um tal “Malua, das Ilhas Salomão, o último tripulante de um barco que aportou em Tutuila em 1884”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As Ilhas Salomão estão a aproximadamente 3.000 km a oeste de Tutuila. Como Malua e seus companheiros de embarcação realizaram essa viagem? Será que eles, a bordo de uma daquelas tradicionais embarcações salomoenses, empreenderam uma viagem ¬– por sabe-se lá qual objetivo – até Samoa? Ou seriam eles pescadores que perderam a rota e sobreviveram a algum inconveniente marítimo? O que aconteceu depois que eles chegaram? E o que foi feito de seus companheiros de tripulação? Pelo menos agora eu tinha um nome e uma data, o que, talvez, aumentasse as chances de êxito das minhas investigações.&lt;br /&gt;E como depois descobri, a história de Malua, realmente incrível, foi inclusive registrada pelo jornal local, o falecido “Le Fa’atonu” (Samoano para “faça certo”). Aliás, vários contemporâneos de Malua escreveram sobre sua vida: um comandante da marinha americana, um aventureiro em excursão pelos mares do sul no começo dos anos vinte do século passado, um missionário mormon, e até mesmo o mestre escritor – e intrépido explorador do Pacífico – Robert Louis Stevenson. Suas versões não são completas tampouco consistentes mas fornecem peças para a montagem do quebra-cabeças e é nelas que baseamos este relato.&lt;br /&gt;Politicamente, o arquipélago das Ilhas Salomão é dividido em dois: a parte leste compreende o território da Samoa Americana e a parte oeste constitui a nação independente da Samoa. Por volta de 1880, uma companhia alemã controlava a produção de copra (a polpa de coco seca) na parte oeste e, para isso, transportava trabalhadores para aquelas plantações. Alguns eram independentes, homens contratados temporariamente. Outros eram “blackbirds” – como os nativos do sul eram conhecidos em Samoa – e vinham para as colheitas geralmente à força, após serem seqüestrados em suas ilhas de origem.&lt;br /&gt;Muitos desses trabalhadores, tanto os contratados quanto os “blackbirds” vinham de ilhas da Melanésia e entre esses estava Malua. Não se sabe se porque fora seqüestrado ou por não estar satisfeito com o que ganhava, mas Malua e outros três ou quatro companheiros, secretamente construíram uma jangada e partiram da ilha de Upolu, na Samoa do oeste, cruzando o traiçoeiro canal de 60 quilômetros que a separa de Tutuila. Stevenson, que vivia em Upolu naquele tempo, descreveu o ocorrido em seu livro “A Footnote to History: Eight years of Trouble in Samoa (1892)” da seguinte maneira: “Existem ainda três fugitivos nas florestas da Ilha de Tutuila, para onde escaparam em uma balça, e os samoanos estão alarmados com a presença destes forasteiros de pele escura em sua ilha. Um destes refugiados, pelo que me informaram, foi morto a tiros quanto tentava raptar uma virgem ilhôa. Além disso, estórias de canibalismo correm de casa em casa e os nativos se apavoram quando as ouvem”.&lt;br /&gt;Edwin Taylor Pollock, governador da Samoa Americana por volta de 1920, nos deixou um diferente relato da destino dos fugitivos: “Um afogou-se ou foi devorado por um tubarão quanto tentava aportar, outro morreu ou foi morto depois de tentar abduzir uma garota samoana, um terceiro faleceu por volta de 1910, e o último permanece nas montanhas”.&lt;br /&gt;O que quer que tenha acontecido com os outros foragidos, a verdade é que Malua e outro colega fugiram realmente para as montanhas de Tutuila, o que deu início ao surgimento de uma série de lendas. Alguns meses depois, este camarada de Malua apareceu na Vila de Aua por sua própria vontade ou por ter sido capturado, não se tem certeza, e foi trazido à presença do governador, comandante Benjamin Franklin Tilley. Um relato posterior, aparentemente baseado nos escritos de Tilley, descreve o homem, que não tinha sequer nome, como um “completo selvagem”, na altura de seus 45 anos, e muito temeroso pela própria vida. Usando rudimentos do próprio idioma misturados com alemão e inglês, ele dizia ter pavor dos samoanos mas, assim mesmo, recusava passagem para sua terra natal, as Ilhas Salomão. Falava ele que, devido ao longo tempo que manteve-se afastado de sua gente, estes poderiam não reconhecê-lo e tratá-lo como um estranho, podendo até matá-lo e comê-lo.&lt;br /&gt;O que terminou acontecendo com esse apreensivo homem é desconhecido, mas antes de adormecer na escuridão da história, ele contou a todos na vila que Malua ainda estava vivo e habitava os mais ermos confins das montanhas. Malua tornou-se, então, o “Homem Selvagem” da Samoa. E como todos os mitos que surgem, este também veio acompanhado dos boatos e pavores provocados pelo misterioso – e provavelmente perigoso – homem “que arrasta gente para as montanhas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se espalhou a notícia de um estranho homem a viver em algum lugar nas montanhas da Ilha de Tutuila, as reações óbvias: pais, para que os filhos pequenos viessem para casa, amedrontavam-nos a dizer que o homem selvagem os levaria. Malua teria sido culpado por qualquer porco ou galinha que desaparecesse. O Governador Pollock, em seus apontamentos, reportou que histórias de pessoas que viam o homem selvagem “eram geralmente recebidas com risadas”. Mas ele completou, que “também havia terríveis relatos sobre o desaparecimento de um ou dois habitantes que, se assumia, haviam sido raptados e comidos pelo ‘tamauli’”, como o Malua era tratado pelos samoanos (tamauli significa homem preto na língua local).&lt;br /&gt;Porém, na primavera de 1923, os eventos tomaram um rumo inesperado. O samoano Ielu, conhecido por suas habilidades em escalar montanhas, deixou sua jovem esposa e a família em Upolo, mesma ilha de onde Malua havia escapado e também viajou para Pago Pago, em Tutuila, em busca de trabalho e dinheiro. Mas antes de conseguir um emprego, Ielu foi preso e condenado por roubo. Parte de sua pena ele cumpria trabalhando durante o dia na abertura e manutenção das estradas da ilha. Rapidamente Ielu caiu deprimido por seu destino e resolveu se suicidar escalando o topo da montanha mais próxima de onde pularia para a morte. Foi então que, fugindo da estrada onde trabalhava, rapidamente despistou seus perseguidores e se enfiou pelas montanhas adentro.&lt;br /&gt;Quando alcançou um remoto precipício onde imaginava terminar sua vida, Ielu ouviu, na quietude dos arredores, cocos caindo um a um ao chão. O ritmo dos sons sugeriam que alguém estava nos coqueirais, a colher os frutos. Quando Ielu virou-se para averiguar essa tão improvável possibilidade, encontrou-se cara a cara com o desnudo homem negro. Algo, talvez o mais instintivo impulso de “captura do homem selvagem”, fê-lo com que se lançasse em luta com o outro, não menos fugitivo. E então, como era de se esperar, o mais jovem levou a melhor. Ielu subjugou Malua, cobriu sua nudez com um pedaço de tecido rasgado da própria lavalava (a típica saia samoana) e, após uma longa caminhada montanha a baixo, entrou com seu prisioneiro no departamento de justiça local. Provavelmente, esta foi uma visão das mais surpreendentes para a população.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, a este ponto, a história continua a tomar caminhos não imaginados. Ao invés de ser executado, exposto, ou tratado violentamente pela população, Malua, que a esse tempo já passava dos 60 anos e tinha a cabeça coberta por cabelos brancos, foi muito bem recebido pelos que lhe capturavam. Pentearam-no, deram-lhe roupas, alimentaram-no, provou doces – os quais disse ter adorado – e se sentiu como se fora um membro da família que há muito não se via.&lt;br /&gt;O inusitado de tal recepção se deveu ao fato de que os samoanos já haviam, neste tempo, criado uma sociedade na qual a ninguém era permitida a orfandade, a fome, ou a falta de um teto. O comportamento cortês e a amigável hospitalidade eram quase uma religião. Claro que os samoanos ainda tinham a capacidade de definir quem era local e quem era forasteiro e também compartilhavam com o resto da humanidade um terror mórbido pelo homem selvagem. No entanto, uma vez confrontados com a misteriosa figura das florestas em carne e osso, os polinésios o acolheram como se Malua fora um deles. Qualquer estigma que ele pudesse anteriormente carregar foi rapidamente dissipado pelo envolvente senso de humanitarismo local.&lt;br /&gt;Nas semanas que seguiram à sua chegada, Malua criou laços particularmente fortes com a pessoa que o capturou: Ielu tornou-se seu fraterno salvador. Mesmo com ele de volta à prisão e aos trabalhos nas estradas, Malua não o largava: dormia no chão da cela do “irmão” e o ajudava no trabalho. Eles eram inseparáveis.&lt;br /&gt;Infelizmente, o conto do homem selvagem de Samoa não teve um final feliz. Depois de quase quarenta anos de uma vida isolada, saudável e desnuda nas florestas, Malua sobreviveu apenas três meses antes de cair gravemente doente de civilizada pneumonia. Morreu em 5 de setembro de 1923, no hospital naval de Pago Pago e foi sepultado, em estilo polinésio, no cemitério de forasteiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_____________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extraído do artigo "O selvagem de Samoa ou um Conto do Cemitério de Forasteiros" publicado na Natural History de fevereiro de 2004. Traduzido por Eduardo Faria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-115984277111797161?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/115984277111797161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=115984277111797161&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/115984277111797161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/115984277111797161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2006/10/quase-um-conto-de-surf-um-haole.html' title='Quase um conto de surf  - Um haole perdido em uma ilha do Pacífico.'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-115863879748302873</id><published>2006-09-19T00:04:00.000-04:00</published><updated>2006-09-19T00:06:37.496-04:00</updated><title type='text'>Opressão II</title><content type='html'>Alguém já deve ter dito isso, mas mesmo assim eu vou relatar. Vou falar porque concluí sozinho, o mérito é todo meu, não copiei de ninguém, nunca li nada a esse respeito porque sempre considerei o assunto tonto demais. Mas eu tive uma luz, um insight, e escrevo pra não esquecer. É que deduzi que todos somos no mínimo dois, quando não três ou mais. Não estou falando de esquizofrenia ou outra doença qualquer, estou me referindo a algo pelo qual todos passamos. Passamos porque, na verdade, esse grau de justaposição de “pessoas” que todos carregamos diminui a medida que vamos envelhecendo.&lt;br /&gt;Mas o negócio é o seguinte, quando crianças ativas, a partir dos 4 ou 5 anos, somos muitas pessoas dentro do mesmo corpo. Somos aquela básica, a primeira e verdadeira, que só nós – e, talvez a nossa mãe – conhecemos, e, paralelamente, somos aquelas que gostaríamos de ser. Personagens que quando os assumimos, “vestimos” sua personalidade e, daí, passamos a agir como súper heróis alados, agentes secretos, sei lá. E não é brincadeira, não é consciente. Nós realmente esquecemos nossa verdadeira pessoa e passamos a ser nossos heróis. E a coisa vai piorando a medida que vamos crescendo. Quando atingimos a adolescência – que para os homens, acaba lá pelos 30 anos –, não temos mais tantas “pessoas” diferentes dentro de nós. Mas as que restam, todas menos a real, são fortíssimas.&lt;br /&gt;Durante esse período, falamos, pensamos, comemos, ouvimos música, praticamos esportes, nos relacionamos com as outras pessoas, de acordo com a personalidade que concebemos como a ideal (de agora em diante, neste texto, considerada a Pessoa B), não como a nossa verdadeira (Pessoa A). Construímos a Pessoa B encaixando características como se fossem peças de lego coletadas nas nossas fontes de informação, que no nosso caso, na atualidade, são as outras pessoas com quem nos relacionamos e a mídia. Assim – que coisa, estou tendo uma conclusão encima da outra –, no fundo, não somos nós quem construímos a Pessoa B, mas sim os outros e a mídia, especialmente esta última. Assim, se você paga uma grana alta por aquela camiseta da marca Tasglen, que nada mais é do que uma camiseta branca com o logo da Tasglen estampado, o faz não porque que você acha a mercadoria bonita mas sim porque ela é imprescindível para o seu Personagem B, é uma das peças de lego que a compõem. Se você insiste em surfar mesmo não gostando, mesmo preferindo fazer outras coisas para você muito mais interessantes, o faz só para encaixar mais uma pecinha de lego na sua Pessoa B.&lt;br /&gt;Nesse longo período chamado adolescência – que para as mulheres deve começar aos 10 – Nos despimos da pessoa B muito raramente, talvez quando dormimos e sonhamos, talvez sozinhos no banheiro, talvez em um momento de estresse muito forte como a morte de alguém amado, ou – essa é a mais interessante – quando algum detalhe nosso, muito íntimo e meio ridículo, é detectado. Quando alguém descobre que temos medo de dormir de luz apagada, quando nosso amigo vê que temos medo de barata, quando nossa namorada percebe que choramos em filmes tristes, quando depois de sermos ameaçados por aquele babaca do jiu-jitsu lá da praia, nos escondemos em casa para chorar solitariamente. A Pessoa A também reassume o comando quando somos surpreendidos fazendo algo errado, roubando, traindo, enganando, mentindo, etc. Nestes momentos, a Pessoa B é desconstruída e é a A quem fica com os escombros.&lt;br /&gt;Vamos agora ao clichezaço final, aquelas “filosofadas” que muita gente já cometeu, mas que pra mim parecem tão procedentes agora, depois dessas conclusões a que cheguei há apenas algumas horas: há uma peça em cartaz, um filme sendo rodado que nós mesmos escrevemos e atuamos, uma produção barata cheia de papéis esquisitos, ridículos e tolos, os quais somos nós mesmos quem representamos travestidos de nossas pessoas B.&lt;br /&gt;A idade é quem nos salva dessa “bipolaridade comum a todos”. Quando largamos a adolescência, quando avançamos nos 40 e poucos, vamos nos libertando da Pessoa B e passamos a valorizar cada vez mais a Pessoa A. Passamos até a nos arrepender por termos perdido tanto tempo com a B, falsa, prisioneira e teleguiada, e vamos nos regozijar na felicidade de sermos a A. Só aí, descobrimos o quão feras sempre fomos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-115863879748302873?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/115863879748302873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=115863879748302873&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/115863879748302873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/115863879748302873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2006/09/opresso-ii.html' title='Opressão II'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-115629520229033751</id><published>2006-08-22T21:04:00.000-04:00</published><updated>2006-08-22T21:15:07.686-04:00</updated><title type='text'>Opressão</title><content type='html'>&lt;b&gt;Aí, no começo dos anos 1980, estava rolando um campeonato importante na Praia Mole, um nacional ou um desses W alguma coisa, e aquele repórter sem-noção da TV local, um com um jeitinho esquisitão, perguntou para aquela gatinha sentada na areia: “qual você prefere, o surfista ou o salva-vidas?” E o surfbroto respondeu: “o surfista, né, he he he”. O repórter ainda quis saber o porquê da resposta, se tanto o surfista quanto o salva-vidas estão sempre em forma, bronzeados e tal. No que ela respondeu brilhantemente: “ah, sei lá, né, he he he”.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa resposta de poucas monossílabas teve um impacto determinante na minha vida. Foi decisiva, encurralante, um xeque-mate, um verdadeiro golpe de misericórdia. Graças a ela, no outro dia comprei calção, camiseta, uma prancha velha e me tornei um surfista.&lt;br /&gt;E hoje, às vésperas de completar 40 anos, não recordo a primeira vez em que ouvi falar em surf, mas lembro perfeitamente dos efeitos dele sobre minha adolescência, dos estragos – é, dos estragos mesmo – que ele fez no meu saudável desenvolvimento pessoal. Hoje posso dizer conscientemente que fui obrigado a adquirir uma prancha, fui coagido a levá-la para a praia, tive que me vestir e comportar como se o surf fosse a coisa mais importante da minha vida quando, na verdade, nunca tive qualquer vocação para o negócio. Sim, porque eu sempre fui um banana: aos 13, 14 anos, eu preferia ler gibis e ver TV, e já era barrigudinho. No máximo batia uma bolinha aos domingos.  E, hoje, nem penso que o fato de eu não ter sido lá muito esportivo fosse algo depreciativo, afinal, cada um, cada um.&lt;br /&gt;Mas para 99% dos adolescentes dos anos 1980 – incluindo eu –, quem não pegasse onda em Floripa era um bananão meeesmo e essa coisa de “cada um, cada um” não teria a menor chance. Era surfar ou não ter amigos. Era ter uma prancha, ou ser solitário. Era manter o cabelo clareado, penicóide, ou, na ordem de grandeza das gatinhas, valer menos que o salva-vidas. &lt;br /&gt;E naquele domingo ensolarado, de um verão extraordinário, eu assisti àquela entrevista ao voltar para casa depois de ter tentado jogar futebol, depois de ter procurado alguém jogando basquete, depois de me descobrir sozinho entre as quadras esportivas. Não havia um ser vivente nas redondezas. todos estavam surfando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embarquei naquele fusca, depois de prender com extensores minha prancha no rack, e fui para a praia, eu e mais quatro caboclos. E, já de saída, os quatro me zoavam por eu ser estreante – não que eles fossem lá muito experientes, afinal éramos todos suburbanos –, por eu ter uma prancha tão tosca e feia, por eu estar usando o calção e a camiseta novos, por eu não saber enganchar o extensor direito, por não ter trazido parafina, por ainda não ter tirado a cordinha da embalagem, por eu estar tenso e com medo, por eu ser todo branco e pelos três sanduíches que minha mãe havia preparado e posto em um saco plástico transparente. Essa era a minha bagagem: minha prancha feia, minha cordinha ainda na embalagem e meu saco plástico com três sanduíches.&lt;br /&gt;A verdade é que eu não me preocupava muito com o surf em si. Pensava que seria fácil, que qualquer idiota poderia fazer. Afinal, tantos – idiotas ou não – já o faziam. E foi assim que amarrei de qualquer maneira a cordinha nova no copinho da prancha feia, enrolei a outra ponta no meu tornozelo e entrei na água. Tentei remar atrás dos meus companheiros de barca mas mal conseguia me posicionar sobre a prancha: ou ela afundava na frente ou balançava muito; e vinha o espumeiro que me derrubava ao mesmo tempo em que a rapaziada, que já estava lá fora, me acenava para que os seguisse. Naquele desespero todo, parecia que eu não ouvia nada, nem o barulho do mar, nem os gritos das crianças na beira, nem o vento, nada. Só escutava os meus próprios pensamentos que, em meio a uma exaustão total, me interrogavam sem parar: o que é que eu estou fazendo aqui? &lt;br /&gt;Desci da prancha e resolvi empurrá-la, jogando-a por cima dos espumeiros, caminhando para passar a arrebentação. Já estava muito cansado, muito nervoso e com a água pelo pescoço quando trepei de novo desajeitadamente na feiosa e voltei às tentativas de remada. Por uma sorte – ou azar, talvez – as séries deram um tempo e tive êxito. Cheguei ao outside e tentei me sentar mas, sem equilíbrio, obviamente desisti. Deitado, pressionando peito e barriga na prancha, tentava desesperadamente respirar, apavorado, imaginando que ali, onde estava, era fundo e não dava pé. Continuava não ouvindo nada, nem o mar, nem os outros que me zoavam incansavelmente, quando de repente notei que aquelas caras que há pouco riam de mim, passaram a remar sem parar. Era uma série que se aproximava e, quando me dei conta dela, tentei buscar uma posição para a remada. Mas fiquei muito na frente e o bico afundou. Me recoloquei mais para trás e o bico levantou muito, o que impedia o deslocamento. &lt;br /&gt;Já a primeira onda me pegou em cheio. A porrada me jogou para o fundo ao mesmo tempo em que sentia a cordinha puxando o meu pé para cima. Rolei na areia do fundo por alguns metros e só recordo dos pensamentos mais bizarros que me vinham naqueles momentos, naqueles segundos em que vagava ao sabor da corrente, no fundo do mar, quase sem ar, quase afogado, quase sem consciência. Pareciam sonhos, parecia que eu não estava ali mas sim, em minha casa, assistindo à entrevista na TV. “Ah, prefiro o surfista, né, he, he, he”. A risada daquela menina linda que preferia os surfistas era o único som que viajava comigo naquela trip submarina. Engraçado é que são os pensamentos que nos fazem reagir ou não em momentos como esses. E, no último instante, no último milésimo de segundo, no último miligrama – ou mililitro, sei lá – de oxigênio que ainda me restava, me veio à mente o meu saquinho de pães que minha mãe preparou e que estava lá na praia me esperando. Foi o impulso que me salvou: finquei os dois pés na areia e subi. Me levantei e estava com a água um pouco acima da cintura e as crianças, que antes eu não conseguira ouvir, brincavam ao meu redor.&lt;br /&gt;Sentei-me na areia, sobre a prancha – aquela bosta dava um bom banco, pelo menos –, em uma parte da praia de onde eu poderia ver o mar sem enxergar meus colegas de barca que ainda, lá de fora, me faziam sinais engraçadinhos. Destruído moral e fisicamente, com frio, recebia o sol nas costas como um prêmio de consolação por tanto sofrimento. Abri meu saco de sandubas com cuidado para não molhá-los e passei a saborear cada um vagarosamente, para que eles durassem o máximo possível. É que, àquela altura do campeonato, eles tinham mais que sabor de sanduíche. Eles tinham o gosto da minha casa e da comida que minha mãe fazia. E naquele dia, naquela praia linda, naquela hora, sob aquele sol maravilhoso daquela manhã de um verão extraordinário na Florianópolis de 1981, o que eu mais queria era a minha suburbana casa. O que eu mais desejava era a comida da minha mãe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-115629520229033751?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/115629520229033751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=115629520229033751&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/115629520229033751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/115629520229033751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2006/08/opresso.html' title='Opressão'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-113934041565299882</id><published>2006-02-07T14:23:00.000-05:00</published><updated>2006-02-07T14:26:55.666-05:00</updated><title type='text'>A privatização da Ilha de Santa Catarina e a minha estupidez.</title><content type='html'>Eu sou um ignorante porque não consigo ver como o turismo pode ser bom para a Ilha de Santa Catarina. Sou um tanso porque, ao mesmo tempo em que não tenho nada contra os turistas nem contra quem vive (ou tenta viver) honestamente da atividade em Florianópolis, sou incapaz de entender as aberrações que são permitidas na cidade e justificadas por que fomentariam o turismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou mesmo uma besta porque concluo que o turista vem para a Ilha em busca de belezas naturais e acho que isso não combina com aquele desmatamento gigantesco que ocorreu há pouco tempo em Jurerê e que o Ministério Público está investigando. Totalmente banzo, não acredito que as pessoas que vêm passar uma semana na Ilha comprem lotes milionários naquela praia. Nem que os destruidores daquela área ou os compradores de casas, apartamentos – sei lá o que vão inventar lá –, venham a gerar um emprego sequer no local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um abobado por desconfiar que, além de colar papelzinho no Arante, a grande maioria das pessoas que vem curtir Florianópolis quer ver é o mar, não mansões à beira dele. Esses turistas, da espécie que em grupos de 10 aluga casa na Lagoa, querem poder chegar à praia sem ter que invadir qualquer propriedade privada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um demente porque vivo batendo na tecla de que o que aconteceu na Praia Brava foi um desastre gigantesco, um prejuízo para todos, menos para os dois ou três empresários que ganharam e continuam ganhando dinheiro vendendo apartamentos cafonas, com nomes estrangeiros, que eles e os compradores nem sabem o que significam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cinqüenta ou cem (sub) empregos gerados não explicam a atrocidade que representou a destruição total daquele lugar maravilhoso, que era meu, que era dos turistas, que era de todos nós e que agora é de meia dúzia de três ou quatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um maníaco porque dei para rogar pragas e desejar que a próxima ressaca arranque aquela piscina que botaram lá, agora, quase dentro do mar. Aí, ao mesmo tempo, o panaca aqui vê que os caras que um dia autorizaram toda essa maldade, fecharem os estacionamentos da Praia Mole porque estes estariam (e até acho que estavam mesmo) crescendo demais. E querem também derrubar aqueles butecos e tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou tão imbecil que até concordaria com o fim dos dois ou três butecos e também dos estacionamentos, se fechassem ao mesmo tempo os butecos, boates, sei lá, toda aquela nojeira da Praia Brava. Na minha mediocridade, tenho certeza que tem alguém muito espertalhão por trás dessa “utilização da lei” na Praia Mole, alguém de olho naquelas terras tão valiosas em frente ao mar, excepcionais para se por prédios, um “chateau de la mer” ou um “beach village”, quem sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um panaca porque rio quando lembro que o Sufoco, aquele bar lá do Campeche, foi derrubado pela Prefeitura e, enquanto isso, o Bar do Pirata continua a toda na Brava. (Do jeito que a praia está sumindo por não ter mais as dunas que lhe equilibravam a quantidade de areia, daqui a pouco neguinho vai poder mergulhar no mar direto da mesa do bar-palafita). Me digam por favor, respondam a esse bitolado aqui, qual é a diferença entre a os dois butecos, o do Pirata e o do Sufoco? A condição financeira dos donos? Ah, tá, agora entendi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém aí me dá uma luz e me explica quem é mais predatório, quem é mais selvagem e ganancioso, o crescimento dos estacionamentos da Mole – onde estacionam pagando, todo o verão, milhões de turistas não tão abonados – ou o constante avanço do Costão do Santinho sobre costão, restinga, dunas, todas aquelas áreas que eram públicas e que agora são de um punhado de milionários?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nisso tudo, o meu espírito de porco só consegue enxergar pesos e medidas diferentes usadas com o único objetivo de se sepultar esta ilha sob uma lápide de concreto armado. No epitáfio, em letras coloridíssimas, ficará registrado: “Santa Catarina Island Resort Residence. Keep out”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-113934041565299882?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/113934041565299882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=113934041565299882&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/113934041565299882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/113934041565299882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2006/02/privatizao-da-ilha-de-santa-catarina-e.html' title='A privatização da Ilha de Santa Catarina e a minha estupidez.'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-113933939194128766</id><published>2006-02-07T14:09:00.000-05:00</published><updated>2006-02-07T14:09:51.953-05:00</updated><title type='text'>Uma quebrava e atrás já vinha outra. Todas azuis, mas todas diferentes...</title><content type='html'>Aí, naquele final de tarde, ele se sentou no topo da duna e ficou, de lá, contemplando o mar. Ventava, o cabelo ao ar, mas estava tudo confortável, apesar daquele friozinho de fim de abril, época também das melhores cores. Ele ali a observar as ondas – eram tantas, uma quebrava e atrás já vinha outra, todas azuis, mas todas diferentes. A princípio, nada demais, ele, a praia, o mar de sempre, mas naquele dia havia algo especial, uma sensação diferente, impar, detectável justamente porque, enquanto olhava a imensidão e as ondas, ele nelas não pensava. Nada lhe passava a não ser um bem estar, o prazer simples de apenas assistir o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, ele percebia emergir uma pontinha de tristeza da qual não sabia a origem. Talvez não fosse tristeza – palavra exagerada –, talvez fosse apenas saudade, saudade que ele tampouco sabia de que. Era algo que já vinha sentindo a algumas semanas, no começo só uns brancos estranhos que lhe abatiam ocasionalmente, aquela vez no ônibus, por exemplo, e naquele outro momento, no trampo. E essa coisa estava atingindo seu climax ali, em cima da duna, enquanto ele admirava o mar, enquanto ele notava a variabilidade e a imperfeição das ondas. Era uma alegria triste, uma nostalgia – talvez essa seja a palavra mais certa: nostalgia. E ele sorriu olhando o mar e, se alguém o visse, diria que estava doido, ou que fumara aquelas coisas que passarinho não fuma. Foi então que, enquanto sorria, seus olhos se encharcaram de lágrimas. Não entendia o que se passava mas, ao mesmo tempo, incrível, ele tampouco sentia vergonha ou tentava se recompor. Simplesmente não estava pensando muito, só sentindo, só olhando, sorrindo e chorando. Enxugou as lágrimas na camiseta branca antes de vesti-la porque o vento apertara e o sol estava a ponto de se mandar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua namorada veio e sentou ao seu lado. Não disse qualquer coisa porque, depois de tantos anos, já o conhecia e via que algo estava errado. Parecia que ele nem notara a sua chegada, absorvido pelo mar que estava, misturando o meio sorriso a um olhar triste. Já de pé, ainda olhando para o oceano, mais restabelecido, ele sentia que algo lhe acontecera naqueles minutos, naqueles momentos sobre a duna. Tinha noção de que aquilo que lhe passara era uma coisa nova, um negócio tão importante quanto indecifrável e, por isso, inesquecível. Era como se ele não fosse mais ele próprio, mas outra pessoa, e essa o observava de fora. Para deixar mais claro: a partir daquele momento na duna, em frente ao mar e à seqüência infinita e imperfeita de ondas, aos 30 anos, ele passou a observar a si mesmo, a se conhecer melhor e compreender as imperfeições da sua vida, a entender cada pensamento bom ou ruim que lhe vinha, todas as coisas legais e todas as cagadas que fez ao longo da sua existência. Não que ele não fosse mais cometer erros, claro que iria, mas pelo menos, daquele momento em diante, ele sabia que esses seriam muito mais conscientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da duna para frente, ele passou a ter certeza das coisas que gosta e das que detesta. Exatamente naquela tarde, o mar, visto lá de cima, lavou-lhe as incertezas e os vacilos. E o acontecido lhe deixou até conseqüências físicas: estava exausto, um cansaço gostoso de quem corre 10 quilômetros e tem como prêmio o corpo irrigado pela endorfina relaxante. Até sede ele tinha. Alguns minutos se passaram até que, subitamente, ele virou-se e convidou a namorada: “vam’bora?” Abraçado a ela, prancha debaixo do outro braço, caminhou para o carro, aprontou tudo e foi. Semanas depois, passou a dividir uma casa com esta mesma moça. Hoje tem dois filhos e está bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-113933939194128766?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/113933939194128766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=113933939194128766&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/113933939194128766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/113933939194128766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2006/02/uma-quebrava-e-atrs-j-vinha-outra.html' title='Uma quebrava e atrás já vinha outra. Todas azuis, mas todas diferentes...'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-110325320859298124</id><published>2004-12-16T22:12:00.000-05:00</published><updated>2004-12-16T22:28:09.006-05:00</updated><title type='text'>Peitudo</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.nd.edu/~edefaria/bodysurfing.gif" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-110325320859298124?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/110325320859298124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=110325320859298124&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/110325320859298124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/110325320859298124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2004/12/peitudo.html' title='Peitudo'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-110061673368778500</id><published>2004-11-16T09:49:00.000-05:00</published><updated>2006-10-02T22:52:12.486-04:00</updated><title type='text'>Análise filosófica do surf enquanto esporte e outras coisinhas.</title><content type='html'>Olha, apesar de nunca ter sido um bom praticante, eu gosto muito do surf. É um esporte muito saudável, muito bonito, muito completo, que se pratica na praia, um dos meus ambientes prediletos. Não me interesso muito pela sua face competitiva, que me parece de tão difícil avaliação, algo tão relativo quanto julgar salto ornamental ou nado sincronizado, mas a atividade em si, é impossível não admirar. Comparado com outros esportes, o surf está anos luz na frente, pelo menos no quesito “fazer sentido”. Porque é compreensível que se sinta prazer surfando. Deslizar sobre a onda é algo perfeitamente entendido como sensacional, ao passo que jogar futebol, por exemplo, se pararmos para pensar, não tem nada a ver. Costumo bater bola toda a semana – apesar de também ser péssimo jogador – e em todas as manhãs seguintes a uma pelada, com o corpo todo dolorido, me questiono sobre a existência de sentido no ato de correr atrás de um pedaço de couro cheio de ar, tentando a pezadas, empurrá-lo entre pedaços de madeira. Mais carente de sentido ainda é torcer por um time, ir ao estádio, gritar, xingar – alguns até se agridem, se matam às vezes – e ficar triste se os onze caboclos do grupo pelo qual se simpatiza colocaram menos vezes a bola entre os pedaços de pau do que os onze cabras do outro grupo. Não é só o futebol que necessita de sensatez: é estranho ficar feliz porque aquele lutador de judô brasileiro ganhou uma medalha de bronze na olimpíada, ou decepcionado se a nossa jogadora de badminton – a famosa peteca – perdeu já na primeira fase. Imagine, peteca!&lt;br /&gt;Por isso, sempre digo que mais ilógico do que os esportes,  é o mundo que cerca cada um deles. É a cartolagem do futebol, o desperdício de dinheiro da NBA ou da fórmula 1, o culto a falsos ídolos, a violência, etc. E é uma pena que o ambiente do surf, disciplina esportiva, como disse, tão distinta das demais, seja também repleto de matérias pouco coerentes com o bom juízo, como o localismo, a violência e os clichês comportamentais dos praticantes. Algo que também não condiz com a estética do surf é a falta de criatividade dos aspectos culturais que o cercam: suas revistas são chatíssimas, sempre com as mesmas fotos e reportagens, seus livros – os poucos existentes – fundamentam-se na mesma linha “muita foto” das revistas, seus filmes são quase sempre horríveis.&lt;br /&gt;Esses tempos me emprestaram um vídeo que diziam ser sensacional, que não trazia só gente surfando e que, além disso, também era engraçado. O assisti rapidamente, curtíssimo que era – nem lembro o nome – e as cenas de humor resumiam-se a uns caras se jogando sobre pranchas na escada do prédio deles. E também havia uma espécie de mendigo que eles, a troco não sei de que, comandavam, e que se jogava nesta mesma escadaria, acabando por estabacar-se nos degraus, dando cabeçadas na parede. Deprimente.&lt;br /&gt;Mas para quem gosta de surf e não se considera um de seus estereótipos, para quem se encarna no esporte mas ainda mantém o juízo na hora de escolher um filme para ver, ainda  há opções. Há uns dois anos, por exemplo, durante uma insone madrugada, liguei a televisão e tive a sorte de ver o melhor filme de surf em que já botei meus olhinhos. O nome da película em português era “O Mar Mais Silencioso Daquele Verão”, do diretor japonês Takeshi Kitano. Não é filme cult chato, nem é cheio de robôs, monstros e caratê como quem não conhece muito poderia esperar dos filmes japoneses. Também não é como esses típicos filmes de surf que só mostram gente surfando os mesmo tubos e batidas, fazendo as mesmas caretas, ou outros comportamentos padrão e gritos de uhuu. É, sim, uma prova de que se pode gostar de assistir surf e não ser bitolado.&lt;br /&gt;Trata-se da história de um lixeiro surdo-mudo que encontra uma prancha velha no lixo e resolve aprender a utilizá-la. E em suas idas à praia, vai sempre acompanhado de sua namorada, também muda. Inicialmente, a galera do pico, os locais (como sempre), hostilizam o rapaz, riem dele que, determinado, dedicava todas as suas horas de folga às ondas. Numa de suas sessões, ele é observado pelo dono de uma surfshop das redondezas que resolve apoiá-lo e, após algum treinamento, o convence a participar do campeonato local. No entanto, seu primeiro intento competitivo falha, no momento em que ele não ouve o anúncio de sua bateria. Na seqüência, em reconhecimento a perseverança do rapaz, a galera da praia o aceita, e ele com a namorada ganham respeito da rapaziada.&lt;br /&gt;Mas o melhor do filme, o verdadeiro protagonista, é o silêncio. O silêncio do mar observado pelo surfista surdo, o silêncio da namorada, o silêncio total. A beleza  do filme está no silêncio das ondas.&lt;br /&gt;Outro filme de surf diferente, não tão legal quanto esse japonês de cima, mas bonzinho, é o inglês “Blue Juice” que recebeu o infame título em português de “Na Crista da Onda”. O interessante desse filme é que ele foi rodado em Cornwall, na Inglaterra, lugar onde – conforme disse um crítico aí da internet –  durante 350 dias é frio demais e nos outros 15, não tem onda. Mas há uma historinha bacaninha, umas piadas boas (há até um surfista gordo que é apaixonado por uma vaca), tem umas paisagens totalmente diferentes daquelas dos outros filmes de surf e tem também a participação da então pouco conhecida Catherine Zeta Jones.&lt;br /&gt;Outra coisa boa desses filmes aí que eles mudam um pouco o palco dos vídeos e filmes de surf. Saem o Havaí, a Califórnia, Indonésia, etc, e entram o Japão e o interior da Inglaterra. Porque, a onda havaiana todo mundo já conhece, todos já sabem o que vai acontecer: o cara vai dropar, entrar no tubo e vai comemorar quando sair. Isso se não despencar lá de cima e se arrebentar nos recifes. A Califórnia é a mesma coisa, aqueles piers, aquelas praias feias, aquela gente loira sentadinha na areia, tudo igual.&lt;br /&gt;Eu considero o surf algo fabuloso, mas não sou obrigado a gostar de todas as mesmices e besteiras que o circundam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-110061673368778500?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/110061673368778500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=110061673368778500&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/110061673368778500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/110061673368778500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2004/11/anlise-filosfica-do-surf-enquanto.html' title='Análise filosófica do surf enquanto esporte e outras coisinhas.'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-109849211210684358</id><published>2004-10-22T19:41:00.000-05:00</published><updated>2005-08-23T14:49:57.746-05:00</updated><title type='text'>Saudades do Ratinho.</title><content type='html'>Durante o primeiro episódio de “Boarding House: North Shore”, programa que passa semanalmente em um canal de TV aqui dos Estados Unidos - é, Pierre Alfredo está dando um tempo aqui nos estaites -, Sunny Garcia, um dos melhores surfistas profissionais da atualidade, por cismar que sua mulher estava sendo observada excessivamente por um cara em um bar, ameaçou arrebentá-lo. No segundo episódio, Sunny sentou a mão em um outro surfista na praia, também por achar que o rapaz olhava demais para a esposa. No terceiro episódio, Sr. Garcia tascou uma chapuletada no rosto de outro homem que discordou das suas idéias a respeito das regras dos campeonatos no Havaí.&lt;br /&gt;Não entendi bem o sentido do programa, mas ele consiste basicamente em 7 surfistas profissionais (3 meninas), vivendo numa puta casa à beira-mar em Haleiwa e... só isso, eu acho. Não tem nada de “Big Brother” ou coisa assim porque há esposas convivendo, eles saem quando querem, vão às festas, campeonatos, pegam onda todo o dia inclusive. Então, o que resta do programa são as belas imagens das praias, dos biquinis americanos e das porradas do Garcia.&lt;br /&gt;Se mostra também os campeonatos e se tenta criar uma certa emoçãozinha, um toque de torcida ou suspense, mas não dá. Campeonato de surf continua sendo a coisa mais sem graça que existe - quem leu as colunas anteriores, sabe que Pierre já pensa assim faz tempo. O próprio produtor do programa, Mark Burnett, o mesmo que inventou o Big Brother, disse no New York Times que competições de surf são difíceis de serem televisionadas por causa da sua estrutura. “Trata-se de um punhado de surfistas na água, ao mesmo tempo, sendo observados por alguns juizes que subjetivamente avaliam a desenvoltura dos competidores. Dessa forma é difícil julgar quem realmente ganhou ou perdeu. Esqui no gelo é muito mais fácil”, diz Burnett.&lt;br /&gt;O mitológico Randy Rarick, que há décadas participa de alguma forma do circuito mundial de surf e é atualmente diretor executivo da Vans Triple Crown of Surfing - competição que aparece no programa -, diz, ainda no NY Times, que os surfistas podem até se interessar, mas a rapaziada em geral não suporta por muito tempo assistir surf televisionado. Enche o saco.&lt;br /&gt;Mas Randy também pensa estar aí o segredo do sucesso que esse programa possa vir a ter (até agora não decolou, segundo o jornal): as pessoas podem não gostar de assistir surf, mas podem se interessar pelo que passa na cabeça dos surfistas.&lt;br /&gt;Aí é que está o problema: os surfistas coadjuvantes quase nem falam e quando não estão surfando, estão dormindo, ou vendo as condições do mar em um dos três computadores que estão disponíveis ou, ainda, dançando na noite, bebendo, de roupa colorida, touca e aquelas caras de chapado. O protagonista é Sunny “Massaranduba” Garcia, rapaz caseiro mas que pelo menos dá porrada. Isso, entre os homens. As meninas nem consigo lembrar o que fazem, a não ser pelo surgimento de uma intriga entre elas que a televisão faz tudo para que os espectadores notem. Mas, Pierre tem certeza, ninguém repara. Tenta-se também apelar para um erotismo mas, para um público basicamente masculino, meninas de calção de surfista, camiseta e chinelo não inspiram nem o tarado da Costeira.&lt;br /&gt;Chefes das grandes redes de televisão americanas têm observado que os esportes coletivos -&lt;br /&gt;“team sports”, como eles dizem - vêm atraindo cada vez menos audiência nos Estados Unidos. A quantidade de telespectadores da faixa etária (18-34 anos) que, há alguns anos, não perdia por nada uma cesta da NBA, ou um “touch down” da National Football League, caiu em média 20% nos últimos 10 anos. E isso significa milhões e milhões de dólares a menos.&lt;br /&gt;A saída, segundo estes executivos, pode estar nos esportes radicais, ou “youth-oriented sports”. No entanto, parece que estes, o surf principalmente, não atraem o público que não os pratica. E quem os faz prefere fazê-los a assisti-los na telinha.&lt;br /&gt;Mas o que Pierre conclui disso tudo é que Sunny “Vô dá porrada” Garcia deveria passar uns tempos no Campeche ou na Joaquina, fazendo um estágio, dando uns cursos. Quem sabe ele esfria um pouco a cabeça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-109849211210684358?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/109849211210684358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=109849211210684358&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/109849211210684358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/109849211210684358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2004/10/saudades-do-ratinho.html' title='Saudades do Ratinho.'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-109849202415904561</id><published>2004-10-22T19:33:00.000-05:00</published><updated>2004-10-22T19:40:24.160-05:00</updated><title type='text'>Movimento anti-localismo é universal</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Pierre Alfredo continua aqui nos “istaites”, longe do mar mas perto das bancas de revista. E foi em uma delas que ele encontrou a última Surfer especial – Giant Colector’s Edition – quase o dobro do tamanho da Surfer normal, cheia de fotos espetaculares e anúncios nem tanto. Os poucos textos são basicamente os mesmos das outras revistas de surfe – brasileiras inclusive. A matéria de capa tem o título “O que é surfar agora?” e eu pensei que eles iriam “arrombar” com um texto fashion-espiritual-filosófico mas não. Inventaram uma história estranha e ficaram nas modificações técnicas que aconteceram ao longo dos anos, não apresentando nada de novo. Tenho que confessar, no entanto, que não tive saco p’ra ler a matéria até o final.&lt;br /&gt;Mas a seção de cartas está quente e o localismo é um dos destaques.&lt;br /&gt;Inclusive, um dos missivistas provavelmente andou visitando o S365 e lendo as pobres palavras deste colunista pois, da mesma forma como Pierre fez em uma das colunas passadas, ele compara o localismo ao racismo e às ações de grupos como a Ku Klux Klan e etc. Olhem como começa a simpática cartinha, do companheiro Steven Stuart, lá de San Diego, na Califa, que foi primeiro ao dicionário: “RACISMO: 1. Crença na superioridade de uma determinada raça em relação às outras. 2. Discriminação ou dano baseado unicamente em diferença racial. LOCALISMO: 1. Crença na superioridade de um determinado grupo em relação às outras pessoas. 2. Discriminação ou dano baseado na suposição de que se é dono de determinada praia”.&lt;br /&gt;E Steven continua: “Na minha opinião, locais que utilizam da força para proteger suas ondas têm muito em comum com aqueles caras da KKK ou de outros grupos de supremacia racial. Todos eles pensam serem superiores. Todos eles usam da violência para atingir seus objetivos. Qual é a diferença entre uma cruz queimando [símbolo da KKK] e pneus rasgados/vidros riscados? Em ambos os casos o objetivo é o mesmo: humilhar e intimidar visando tomar o controle da situação”. O Steven tá ou não tá certo?&lt;br /&gt;Pierre ganhou também uma Surfing de alguns meses atrás e o que tinha de melhor outra vez eram as cartas. Entre essas, a do Geoff Hagins, que compara os locais de uma determinada praia da Califa a Jim Jones e a David Koresh, ambos líderes de seitas que levaram dezenas de pessoas à morte. Ele diz que esses locais do tal pico ficam incitando outros mais novos a atos de barbarismo contra pessoas de fora. E esses caras, segundo ainda o Geoff, podem também ser comparados a Osama Bin Laden pois, mesmo cometendo estes atos de terrorismo, vivem dizendo que não são terroristas mas sim, que estão só protegendo a própria cultura. Pior é que a comparação do Geoff até que faz sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem passou esta Surfing para o colunista foi o Davio, um também californiano de quarenta e poucos anos que, mesmo aqui, a quilômetros do mar, continua sempre vestido de surfista e perguntando “lá na tua cidade, no Brasil, tem Quicksilver?” Ele já viajou bastante para pegar ondas e, a respeito do localismo, me disse que uma vez estava em Sunset, todo vermelho do sol – o cara é branco p’ra caramba – esperando a série, quando escuta uns berros. Ele olha e vê o John-Boy Gomes chegando, dando socos na própria prancha e xingando todo mundo. Diz o Dávio que quando Gomes o viu, vermelho, sentadinho ali, não perdeu tempo: “hey you, pink haole. Get out now”. E o que fez o Dávio? Pranchinha debaixo do braço e tchau pra ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surfe na tv&lt;br /&gt;E aquela série de tv que foi objeto de comentário na última coluna – Board House: North Shore – já saiu do ar. Pierre avisou, mas eles não escutaram: surf pode ser muito bom de se fazer mas muito chato de se assistir. E os protagonistas, ainda por cima, não tinham qualquer talento. Nem mesmo Sunny Garcia. A coisa estava tão sem graça que o colunista desistiu no último instante de assistir ao último episódio. É que, na mesma hora, começou a passar Zorro no outro canal. Muito mais irado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-109849202415904561?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/109849202415904561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=109849202415904561&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/109849202415904561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/109849202415904561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2004/10/movimento-anti-localismo-universal.html' title='Movimento anti-localismo é universal'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-109849148198898488</id><published>2004-10-22T19:29:00.000-05:00</published><updated>2004-10-22T19:31:21.990-05:00</updated><title type='text'>Lendas do Surf Suburbano I – O surf cafajeste de Paulo Picareta.</title><content type='html'>Lá no Estreito havia um cara, um surfista, que levava uma vida bastante curiosa. Não adianta, não vou dizer o nome dele mas vamos chamá-lo de Paulo Picareta. Ele tinha uma apelido mais ou menos igual a esse e quem o conheceu vai lembrar na hora. Eu não tinha nenhuma amizade com essa figura, mas soube de muitas das suas histórias sobre quais não posso garantir total veracidade, é claro. &lt;br /&gt;Vamos, então, descrevê-lo: cabelo clareado (com parafina, tinta, sei lá), tatuagens enormes (incluindo o indefectível dragão), sempre bronzeado, sempre cheio de gatinhas e sempre, sempre duro de grana. Essa última característica era a que fazia Picareta – num ato de desespero – se virar de qualquer maneira e, por isso, foi ela que lhe deu esse apelido carinhoso. Mas, antes de mais nada, o Paulo era uma pessoa popular – todo mundo conhecia – apesar de ele, no meu entender, não ter muitos amigos. Primeiro porque ninguém o levava muito a sério, segundo porque ele não tinha concentração suficiente para amizades. Acredito mesmo que ele não conseguiria prestar a atenção em qualquer coisa por muito tempo, muito menos numa pessoa. A não ser, é claro, que essa pessoa fosse do sexo oposto. Nesse caso, Picareta poderia dedicar até algumas horas de devoção. Era uma criatura simpática, o Picareta, ninguém pode negar. &lt;br /&gt;Quanto ao surf, bem, aí é que a coisa pega: o nosso Picareta era calhorda, não surfava nada. O que era compreensível já que, pobre, não tinha muitas condições de ir à praia constantemente e, diziam os maldosos, tinha um pouco de preguiça de passar arrebentações, remar correntezas, essas coisas que – eu compreendo – são chatíssimas. É, ele não pegava onda. Mas fazia onda que era uma beleza. Tanto que, quem não conhecia esse detalhe, quem nunca o havia visto surfar ou tentar fazê-lo, apostaria na ferocidade do seu surf. Tenho certeza que até ele mesmo acreditava. Porque só dessa forma, só acreditando muito no que diz, se consegue não deixar dúvidas em ninguém.&lt;br /&gt;Poucas vezes ele cometeu falhas que comprometessem seu cartaz. E nessas poucas vezes, a falha resultou dessa autoconfiança maluca que ele tinha. Esse negócio de acreditar nas próprias fantasias, não tem? Um desses momentos se deu quando, se eu não me engano no Morro das Pedras – praia onde o pessoal do Estreito é local – estava acontecendo um campeonato entre os estreitenses. O Picareta, que estava ali só de passagem, não se conteve quando a rapaziada, todos conhecidos, botou na sua cabeça que o campeonato estava prá ele. Não foram necessários muitos “vai Paulo, vai Paulo” para ele entrar em um transe alucinógeno-vaidoso e esquecer que não tinha surf suficiente nem prá enfrentar o Morro, quanto mais prá um campeonato. E ele se inscreveu. Quando deu por si, “Inês já era morta”.&lt;br /&gt;Pior é que o mar não estava pequeno e acredito que ele só se tocou da cagada quando teve que furar a primeira espuma, aquela que esfriou a sua cabeça. Porque, quem o viu entrando n’água, diz que suas feições sérias pareciam indicar que a bateria estava no papo mesmo. Mas após esse primeiro espumeiro, esse que o trouxe de volta à areia e à vida real, posso imaginar o conflito mental que se estabeleceu em cima da sua prancha, o medo do Morro das Pedras grande misturado à vergonha de mal conseguir surfar, nem ficar em pé direito e, acima de tudo, o medo de ser descoberto. Meu deus, Picareta teve que botar todos os seus criativos neurônios prá batalhar uma saída enquanto se esfalfava brigando contra a arrebentação. Essa, a arrebentação, ele passou se valendo mais da boa forma física que mantinha – era um grande nadador da praia do Cagão – do que da experiência de surfista. Quando ele chegou lá fora e sentou todo desequilibrado na prancha é que, imagino, olhou pro céu e perguntou: “e agora?”.&lt;br /&gt;E a solução abençoada veio. O raciocínio simples e, ao mesmo tempo, espertíssimo deve ter sido o seguinte: se não posso revelar que não surfo nada, o jeito vai ser.... não surfar. E assim fez Picareta, ficou lá fora, na segurança, remando prá lá e prá cá. De vez em quando ameaçava descer uma mas, é lógico, puxava o bico e socava o mar, como que queixando-se da falta de sorte. Detalhe é que seus adversários se empapuçaram. E assim a bateria passou, Picareta pegou uma qualquer lá – das menores, é óbvio – e veio de jacaré.&lt;br /&gt;“Dei azar, não estava me sentindo bem, aquele pão com mussi que a mãe me deu no café não me fez bem, tô cheio de gazes”. Pronto, ninguém fez muitas perguntas. Alguns se solidarizaram, outros sentiram até pena da suposta situação gástrica do cara. Picareta estava salvo.&lt;br /&gt;Mais fantástico ainda é que as meninas, muitas, que visitavam o quarto do Picareta – que não só tomava café mas também morava com a mãe – diziam, pasmem, que lá existia uma estante lotada de troféus. O cara, se medíssemos pelas taças, havia sido campeão de uma enormidade de torneios, campeonatos, etc. Alguns de amplitude estadual. Como? Só havia uma explicação: mandava fazer, ou gravava ele mesmo, os próprios troféus. E com estas armas, ele “matava” as cocotas no seu quartinho. “Pôoo, Paulinho, tu já ganhou todos estes campeonatos?”, perguntava a gatinha inocente. “É, eu dou as minhas cacetadas”, dizia o Picaretaço, todo orgulhoso.  O guri era um gênio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-109849148198898488?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/109849148198898488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=109849148198898488&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/109849148198898488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/109849148198898488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2004/10/lendas-do-surf-suburbano-i-o-surf.html' title='Lendas do Surf Suburbano I – O surf cafajeste de Paulo Picareta.'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-109820415299441873</id><published>2004-10-19T11:02:00.000-05:00</published><updated>2004-10-19T11:42:32.996-05:00</updated><title type='text'>Quem vê cara não vê coração.</title><content type='html'>Numa coluna aí que cometi, quase chorando lembrei da minha adolescência, da facção pobre do surf da qual eu fazia parte, da nossa praia predileta – a Barra da Lagoa –, das coxinhas de galinha que nos nutriam e das pranchas medonhas com que nos estabacávamos nas ondas. É falando sobre estes tocos horríveis que pretendo enrolar a meia dúzia de três ou quatro que lerão esta edição da “Fazendo Onda”.&lt;br /&gt;Era difícil prá nós, quase ainda crianças, sem mesada ou pai abastado, obter uma prancha de surf. Consegui a minha primeira através de uma longa seqüência de trocas de mercadorias, um circuito de escambo – como a gente aprendia na escola. O skate por uma bicicleta, a bicicleta por outra bicicleta, a bicicleta por duas bolas de basquete e uma camisa do avai autografada, as duas bolas mais a camisa por outra bicicleta – uma barra-forte – e, finalmente, esta bike pela prancha. Era uma Piu 6.4, lembro bem, que já devia ter uns 6 ou 7 anos de uso e era amarelona tanto pela pintura quanto pelo tempo. Prancha que até não estava tão ruim, não fosse pela “mordida de tubarão” que ela tinha: um rombo, muito mal consertado, que cobria uns 20 centímetros na lateral da rabeta. Quem tentou arrumar o estrago, colocou só resina de tal forma que o lance parecia uma casca de ferida gigante, mal lixada, que cortava o meu pé de vez em quando.&lt;br /&gt;Preciso de um parágrafo só para descrever a quilha. Que obra de arte. Aqueles quase 50 centímetros de madeira afiadíssima, com uma curvatura que lembrava aquelas adagas árabes, deveriam estar em um museu. Coberta também por uma resina mal lixada e presa à prancha por camadas e camadas de tecido – porque vivia se soltando –, era uma arma branca. Provavelmente se tratava de um “estepe” pois perderam a original e mandaram o marceneiro fazer outra, uma substituta. Um perigo. Não sei se não seria mais fácil tentar descer ondas sobre uma mesa de churrasco. O peso provavelmente seria o mesmo, só que a mesa não teria a precisão e a estética daquela quilha.&lt;br /&gt;Mas assim mesmo, torta e feiosa, eu adorava a minha prancha na mesma medida da dificuldade que tive para conquistá-la. Nos entendíamos muito bem. Ela era assumidamente uma prancha velha e destruída que tinha, no entanto, um espírito alegre e jovial. E nós nos gostávamos e não estávamos nem aí para os comentários.&lt;br /&gt;Hoje, tem muita prancha circulando e neguinho troca todo o mês. Vende uma, já compra outra e assim vai-se mantendo atualizado. Todo mundo tem prancha boa, mas se tratam só de pranchas. A minha não era só uma prancha. Era uma entidade mitológica com poderes superiores, que representou um papel importantíssimo na minha adolescência, por mais detonada que fosse, a coitada. Por causa dela, eu podia dizer prá todo mundo que tinha uma prancha e era surfista, por mais prego que eu fosse e mesmo com toda a minha falta de talento prá coisa.&lt;br /&gt;Fazendo uma comparação esdrúxula, é a mesma coisa que acontece com a música hoje em dia. É tão fácil conseguir – é só baixar – que não dá tempo nem prá gostar. Faz-se o download, se escuta umas duas vezes e se esquece. Eu lembro de economizar cada tostão prá comprar aquele vinil do Bob Marley ou do Police, por exemplo, e depois escutá-lo todos os dias por meses a fio a ponto de saber todas as letras de cor, mesmo não entendendo patavinas do que estava sendo cantado.  De formas que cada vinil destes guardava a trilha sonora de um determinado período da vida. Cada um destes LPs marcou uma época, da mesma maneira que cada uma das minhas 3 ou quatro pranchas, simboliza um período da minha vida, não tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-109820415299441873?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/109820415299441873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=109820415299441873&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/109820415299441873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/109820415299441873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2004/10/quem-v-cara-no-v-corao.html' title='Quem vê cara não vê coração.'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-109820176011130558</id><published>2004-10-19T10:59:00.000-05:00</published><updated>2004-12-16T22:09:36.480-05:00</updated><title type='text'>Lendas do Surf Suburbano II - O mundo paralelo de Melhoral.</title><content type='html'>Dando continuidade à mitologia do surf suburbano de Floripa, nesta edição do Fazendo Onda vou lembrar as aventuras de Melhoral. Esse, claro, não era o apelido correto do cara que, na verdade, era algo parecido, na linha farmacêutica também. Mas não vou dar a identidade dele por motivos de segurança. O que interessa é que o Melhoral não só era como ainda é outra figura lá do continente que, porém, ao contrário do Paulo Picareta da coluna anterior, pegava e ainda pega onda mesmo, é fera, apesar de já estar na meia idade. Na verdade, Melhoral até agora não sentiu o peso do tempo e continua o mesmo tanto física quanto mentalmente, sempre em boa forma, morando com a mãe, se alimentando bem, uma gatinha ali, outra aqui, etc. Até hoje, trabalhou muito pouco, estudou quase nada e, claro, é durango. Outro traço do Melhoral, talvez o mais conhecido, era – não sei se é ainda – a sua cleptomania. É, Melhô tinha essa doença, problema que, por muitas vezes, o deixou em apuros. Também, ninguém pode ser 100% saudável, né.&lt;br /&gt;Ele não era, assim, um ladrão. Nada, Melhô só afanava coisas idiotas, sem valor, mas que deixavam os afanados putos. Era uma doença mesmo porque ele não conseguia se controlar e, de carona com algum amigo – nunca teve carro –, Melhô na saída sempre levava a fita do Bob Marley, uma toalha, a parafina do cara, essas coisas. Era uma pena porque esse problema o impedia de manter boas amizades.&lt;br /&gt;Outras coisas interessantes sobre o Melhoral, eram o seu bom coração – não era de briga – e, especialmente, sua curiosidade atroz. Apesar do pouco estudo, Melhô se encarnava em geografia, zoologia, ciência em geral – mas bem na geral mesmo – e também pelas notícias da hora. Por exemplo, no seu quarto equipado com TV cabo (gato, obviamente), o único canal que rola atualmente, dizem que é a discovery da qual ele já viu todos os documentários mais de uma vez. E sempre soube de cor a velocidade da chita na savana africana, ou qual o rio mais longo do planeta. Apesar de não ter paciência para a escola, o cara era interessado e tinha uma boa conversa, o que o diferenciava dos demais idiotas que éramos na adolescência, quando só palhaçada saia da nossa boca.&lt;br /&gt;Melhô desenvolveu seu surf ali mesmo, no pico do Atlético, na Praia do Cagão, quando o vento nordeste típico do verão empurrava umas marolas maiores que propulsionavam a rapaziada por alguns metros. E ele foi um dos pioneiros, o desbravador do pico, o descobridor do secret point. (Aliás, prá quem não sabe, o Pico do Atlético, ali, na frente da Pedra da Baleia, já viu muita gente boa dando suas primeiras remadas, empurrados pelo nordestão. O problema era a água, que tinha todas as cores menos azul, e os canos de esgoto que funcionavam como aqueles piers californianos, dando mais pressão. O fundo atolava um pouco mas era consistente).&lt;br /&gt;Soube que Melhô chegou a participar de alguns campeonatos menores e se deu bem. Porém, competições não lhe atraiam e o surf, para ele, assim como o skate, era só diversão.&lt;br /&gt;Nunca fui um grande amigo de Melhoral, até porque era ruim de confiar no bicho, mas tínhamos uma boa relação ali pela década de 80. Chegamos a ir à praia juntos algumas vezes na mesma “barca” e fomos colegas até na night – não sei se este termo ainda é usado. Numa dessas oportunidades que tive de desfrutar seu companheirismo na balada – essa expressão mais moderna –, fomos a bordo do meu Fiat 147 1981 a álcool em direção a um dos muitos bares que a Lagoa já teve, ali na Rendeiras. Lembro que, em determinada hora, ao som de “na madrugada, vitrola rolando um blues, tocando B. B. King sem parar...” travei contato com uma qualquer lá e – vejam que descolado – fomos pr’um canto ver a lua sobre a lagoa. Ou seja, deixei o Melhoral lá e nem quis saber.&lt;br /&gt;Tarde da noite ou cedo pela manhã, após me despedir meigamente da companheira lunática – no sentido de que estávamos vendo a lua – fui procurar o carro prá ir embora. Andei quase a Rendeiras toda e nada. “Roubaram o 147”, pensei. Voltei prá casa de busão, apavorado, pensando no que diria em casa e nem me lembrei do Melhô. Só recordei do elemento quando, ao passar na frente da sua casa, deparei com a viatura lá estacionada. Meu Deus, vejam do que ele era capaz: o homem fez ligação direta... Ligação direta! E veio embora atravessando as várias pontes que o separavam do continente. Não deu bola. Quando o interroguei a respeito, ele me pediu que entendesse já que havia passado mal e, no desespero não teve dúvidas. De que jeito ele aprendeu a fazer ligação direta em automóveis – se praticando ou consultado a bibliografia especializada – eu nunca tive coragem de perguntar.&lt;br /&gt;Recentemente, em uma das esquinas da cidade, trocava de idéias sobre a vida alheia com um amigo “daquelas épocas” – ambos casados, universidade concluída, barriga a despontar – a quem questionei sobre o Melhoral. Ele me informou que Melhô “está na mesma vida, não evolui. Não estudou, não trabalha, é só praia, skate, gatinhas, night, sempre em boa forma”. Eu fechei: “comé que pode né?”. Ficamos em silêncio, como que raciocinando, por alguns segundos até que ele me olhou e mandou: “rapaz feliz, né?”. É, Melhoral tem o segredo da felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-109820176011130558?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/109820176011130558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=109820176011130558&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/109820176011130558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/109820176011130558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2004/10/lendas-do-surf-suburbano-ii-o-mundo.html' title='Lendas do Surf Suburbano II - O mundo paralelo de Melhoral.'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-109820157783107775</id><published>2004-10-19T10:55:00.000-05:00</published><updated>2004-10-19T10:59:37.830-05:00</updated><title type='text'>Éramos felizes e até sabíamos.</title><content type='html'>Realce, realce, quanto mais parafina melhor, já dizia Gil naquele som dos anos 80, ou final de 70, não lembro direito. Ah, que saudade. Tempo de ir pra praia de ônibus. Prá Barra da Lagoa, que ainda não tinha os molhes e podíamos pegar as merrecas do costão. Minha nossa, como eu era merrequeiro. Deixávamos a prancha lá na casa de alguém e íamos de busão. Lotadaço. Nós, as cocotas e o resto da manezada. E ficávamos o di-a-to-do na praia, debaixo do sol. Voltávamos no final da tarde, roxos do sol e de fome. Filas intermináveis pro busão e aquele rala e rola com as cocotas. Ah, coisa boa. Coisa boa agora, mas naquele tempo era casca. Imagina, tu subindo o morro da Lagoa de latão, sendo ultrapassado por carros cheios de pranchas em cima. Mas também, não estávamos nem aí. Não éramos pobres depressivos, nem tínhamos pena de nós mesmos.&lt;br /&gt;Íamos ao boteco lá da Barra prá almoçar e comíamos um x-galinha-de-miserável que consistia em pão doce (massinha pra alguns) com uma coxinha dentro. Um refrigerante em cima – uma laranjinha maxwillians, podia ser – e o x-galinha-de-miserável se transformava numa bomba gasosa que nos sustentava o resto do dia. O problema era a volta, balançando no busão. Coitadas das cocotas. Mas elas também eram umas peidonas.&lt;br /&gt;Um dia, a dona do boteco começou a notar que, ao invés de vender várias coxinhas, ou vários pães para cada caboclo, cada um se satisfazia com apenas um de cada. Ela notou que tava no prejuízo e proibiu o x-galinha-de-miserável, a miserável. Ou um ou outro, pão ou coxinha, ela falava. A combinação, milagrosa, tava proibida.&lt;br /&gt;Mas algumas vezes não precisávamos pegar ônibus, porque o meu pai nos levava prá praia na Brasília dele. Meu pai gostava de praia. Botava a sunga por baixo da barriga e ficava lá esperando. Dava umas nadadas, andava prá lá e prá cá e nos espiava. Até no inverno ele ia. Tinha uma paciência enorme. Mas dizia não entender o surf porque nós caíamos mais do que surfávamos. Era tão pouco tempo em cima da prancha, falava, que não valia a pena o esforço. De certa forma, ele tinha até razão. Mas também, éramos pregos demais, nossas pranchas eram horríveis e, no inverno, caíamos no pêlo, como só as crianças conseguem. Mesmo assim, enchíamos a Brasília de adesivos da Energia, da K&amp;K, do Rico, etc. Mas o pai gostava mesmo era de futebol e sempre mantinha um adesivo do Vasco prá contrabalançar.&lt;br /&gt;Tínhamos que ir prá Barra porque, além da linha de ônibus, era a praia que tinha mais infra. Botecos, x-galinhas-de-miserável, etc. A Joaquina, que ainda era dos magnatas, não tinha ônibus, como hoje a Brava não os tem (magnata não gosta de ônibus, nem de quem os pega). Podíamos até puxar a corda e descer na Mole mas, lá, não tinha pão, coxinha, tampouco Laranjinha Maxwillian. O norte da Ilha não nos passava pela cabeça, a não ser para acampar na Ponta das Canas, nos Ingleses, sei lá. Podíamos, também, acampar na Armação, no Matadeiro, mas era na Barra que a gente estava em casa.&lt;br /&gt;Para irmos à Joaquina acompanhar os campeonatos, saltávamos do latão no final da lagoa e íamos andando até a Joaca. E nesse tempo, já disse em outras colunas, o surf era o que menos interessava nos campeonatos. O negócio era a festa. Se bem que nunca víamos o show do final porque perderíamos o busão.&lt;br /&gt;E tem razão quem diz que, naquele tempo, surf não era esporte mas um espírito, um jeito de ser, sei lá. Só que, prá mim, existiam vários tipos de espíritos. O nosso, por exemplo, não era aquele “chavão” que sempre se ouve, do surf como uma atividade de nômades, de desbravadores insaciáveis, etc. Esse era o espírito dos surfistas ricos. O nosso espírito, coitado, assombrava, basicamente, a Barra.&lt;br /&gt;Hoje, é claro que tá mais fácil surfar. Tenho que dar o braço a torcer e aceitar que aquela coisa que fazíamos porque nos inflava o ego, porque tínhamos que fazer para manter os amigos, nossa vida social adolescente, justificar nossos cabelos loiros, etc, se transformou em um esporte de verdade. Muitos surfistas hoje não vão à praia pegar ondas, vão treinar. E só vão quando e para onde há ondas. Alguns são pagos para isso, outros querem sê-lo. Quase todos têm uma alimentação e preparação física especial e não precisam mais comer x-galinha-de-miserável.&lt;br /&gt;Os campeonatos, agora, têm palanques móveis – sempre prontos para estar onde as ondas também estão – e acontecem freqüentemente, o que é bom para o esporte, mas ruim para as festas porque não são mais inusitados. Atualmente, quase nada pode impedir a realização de um campeonato de surf, nem falta de luz.&lt;br /&gt;Hoje, é relativamente fácil se comprar uma prancha no Brasil e ninguém vai prá praia com aquelas tocos horríveis com que íamos e que mantínhamos, o mesmo, por anos. Para consertá-los, comprávamos tecido, resina e catalisador e nos lambuzávamos daqueles produtos químicos altamente tóxicos. E dá-lhe encher bolhas nas pranchas com resina, injetando-a com uma seringa obtida no lixo da farmácia. Uma vez fiquei de cama por uma semana, todo inchado, pois tive uma reação alérgica após me sujar todo tentando preencher uma bolha gigantesca na prancha de um amigo.&lt;br /&gt;Colávamos qualquer foto de surf nas paredes do quarto. Podiam ser fotos de qualquer tamanho e de qualquer revista e até de jornal, mas todas valiam muito prá nós. Revistas de surf valiam ouro.&lt;br /&gt;As coisas do surf, há tão pouco tempo atrás, vinte, vinte e poucos anos, eram mais difíceis e menos confortáveis, principalmente para quem não tinha muita grana. Mas, confesso, curti muito. E era imensamente legal estar na Barra, em uma tarde de sol de verão, depois de almoçar um saborosíssimo pão com coxinha, vestindo o meu calção Ligthning Bolt marron – filho único de mãe solteira –, com a minha prancha horrorosa debaixo do braço, a caminhar para o mar. Naquele momento, tenho certeza, ninguém era mais feliz do que eu. Ninguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-109820157783107775?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/109820157783107775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=109820157783107775&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/109820157783107775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/109820157783107775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2004/10/ramos-felizes-e-at-sabamos_109820157783107775.html' title='Éramos felizes e até sabíamos.'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-109820062116042939</id><published>2004-10-19T10:38:00.002-05:00</published><updated>2006-02-07T09:52:39.470-05:00</updated><title type='text'>O tempo é infernal.</title><content type='html'>Rapaz, o Kely Slater tá careca! Eu vi na TV. Mas, convenhamos, a Pamela Anderson, que ajudou a dar fama ao rapaz, também já tá caída, né?. Não há mais lugar onde por silicone ali. E a Praia Brava, que já tem mais prédios que o centro de Floripa. Ah sim, o mar de Canasvieiras tá imundo e o dos Ingleses também. E meu irmão me disse que até a Lagoinha da Ponta das Canas já tem placa da Fatma dizendo “imprópria para banho”. Pelas barbas do Valdir. Se bem que isso é assunto para a administração do novo município, né. Vocês tão sabendo? Do novo município que tão querendo criar. Éééé, meu filho, tão querendo dividir Floripa. Estranho? Que nada, tem neguinho querendo realmente separar o norte da Ilha e criar outra cidade. Até já pensaram em um nome - horrível e  óbvio: Balneário de Florianópolis. E até que prá uma coisa esse novo município serviria: o pedágio poderia ser ativado mais facilmente. Porque, olhem com piedade, a empresa que fez aquela duplicação meia boca, aquele trabalho nas coxas, o fez pensando na fortuna espetacular que iria ganhar com o pedágio. Temos que ter compaixão por eles. Cruzes. O tempo é mesmo uma m.... Pro Slater, pra Pamela, pra Floripa...&lt;br /&gt;Mas o negócio é o seguinte: o tempo passa, e o surf não decola na mídia. Mesmo sendo o segundo esporte mais praticado no País, não temos nenhuma celebridade surfística. Toni Halk - o skatista -, e o Keli Slater são celebridades aqui nos Estados Unidos. E olha que nesse país, até o golf é mais forte do que o surf e o skate juntos.&lt;br /&gt;Mas o tempo vai passando e até o Guga Kuerten, nosso campeão, já tá meio de saco cheio de segurar raquete, pois já tem grana e fama suficientes. Mesmo no Brasil onde o tênis tem quase nenhuma expressão. Enquanto isso, a fama do Teco Padaratz continua local, florianopolitana. Teco pode ser até famoso em outros países mas apenas entre a rapaziada do surf. Mas como? E o tempo vai passando...&lt;br /&gt;E o Maguila, heim? O tempo foi cruel com o Maguila. Não ganhou título algum, levou porrada prá dedeco, mas é mais famoso que o Peterson Rosa. Dá pra entender?&lt;br /&gt;Também, surf é chato de ser televisionado, é ruim de explicar pro leitor do jornal porque que o Tinguinha passou aquela bateria e não o Mark Occhilupo. Mas “puramor de Deus”, tem coisa mais chata do que volei de praia? E todo Domingo tem mundial no Rio de Janeiro, que passa direto na Globo. E sinuca? Só alguém com a mente atrofiada – ou um outro jogador - pode ficar, em um domingo, assistindo sinuca na TV. Pois não é que o Rui Chapéu tem mais fama do que a Tita Tavares, que tantas glórias já nos deu surfando no exterior, e que é dona de uma história de vida interessantíssima. Pelo menos a Tita continua pegando onda pelo mundo, enquanto que o Chapéu, o tempo já devorou. O tempo é terrível. Onde anda Rui Chapéu, heim?&lt;br /&gt;Natação, por exemplo, quem se interessa por natação? Outros nadadores, eu acho. Mas porque o Xuxa - que nada pra caramba, não se pode negar -, é mais famoso que o Vitor Ribas? Porque é que o Xuxa já tá fazendo ponta em novela da Globo e o Vitor não? Só porque o primeiro ganhou aquela medalha de bronze lá naquela olimpíada, ou a outra de prata naquele panamericano, ou aquela de ouro no sulamericano (sei lá, tô chutando)? Porra, o Vitor já foi Campeão Mundial do WQS e único brasileiro a terminar uma temporada do WTC entre os três primeiros colocados! Dá um papel qualquer prá ele aí, ô Globo, mesmo que seja na das 6, né? Não deixa o rapaz perdendo tempo porque o tempo é violento.&lt;br /&gt;Quem é que sabe quantos paraquedistas radicais existem no Brasil? Talvez meia dúzia. Mais? Tá bom, duas dúzias. Então porque é que o Gui Pádua tá todo o dia na mídia, mostrando os patrocinadores, ganhando dinheiro, etc e tal? Maluco por maluco, sou mais o Carlos Burle, né? Pular de paraquedas é fácil. É só Ter coragem prá se jorgar e puxar a cordinha na hora certa. Agora, prá descer aquelas morras, coragem só, não é suficiente. Vai muita técnica aí. O tempo tá passando... e é só paraquedas, só paraquedas.&lt;br /&gt;Alguém aí já foi prá praia ouvindo um cd do grupo Polegar? Aquele que o tempo destruiu? Imaginem, aquela onda perfeita sendo dropada ao som de “dá pra mim, o seu cariiinhooo, dá pra mim, o seu amoooorrr”. Então porque que o Rafael Ilha, o “vocalista” do Polegar, mesmo depois de tanto tempo, depois de arruinado em todos os sentidos, depois de abandonado pelo Gugu, continua aparecendo mais na mídia do que qualquer campeão de surf? Só porque é maconheiro? Maconheiro por maconheiro...ãh? Brincadeira. Ô Gugu, te liga, o tempo tá passando. Não vai ter mais laquê que segure esse teu cabelo, heim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-109820062116042939?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/109820062116042939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=109820062116042939&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/109820062116042939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/109820062116042939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2004/10/o-tempo-infernal.html' title='O tempo é infernal.'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8788540.post-109820004489352294</id><published>2004-10-19T10:33:00.000-05:00</published><updated>2004-10-19T10:34:04.893-05:00</updated><title type='text'>Garoto, eu vim prá Califórnia.</title><content type='html'>Pois é, rapaz, tô aqui na Califa, em São Francisco, essa cidade liberada, muito mais do que a Praia Mole ou a Galheta, nossas praias que o preconceituoso Máurio definiu como “fora de controle”. Aqui já está tudo controlado e as bandeiras coloridas do orgulho gay estão desfraldadas pelas esquinas. E sabe quem eles chamaram para a festa pública da virada (no bom sentido) de ano? Os “macho-man” do Village People que, é claro, transformaram a festa num desbunde total. Foi gasolina no fogo.&lt;br /&gt;Como estou vivendo lá pro meio dos Estados Unidos, onde tudo agora está cinzento e gelado, estava ansioso prá ver o oceano e o sol novamente. E fiquei feliz quando, no trânsito, ao sair do aeroporto, já vi um carro com uma prancha em cima.&lt;br /&gt;Dia desses, solzão – coisa rara no inverno chuvoso daqui – fui dar uma banda pela highway 1, aquela que percorre toda a Califórnia pelo litoral. Desci de São Francisco até Santa Cruz, parando pelas praias,  penhascos e rochedos. Percorri uns 150 quilômetros, eu suponho, devagarinho, e vi um monte de gente na praia e outro monte pegando onda. Os “francisquenses” que não surfam, levam suas cadeiras de naylon para a areia, sentam e ficam olhando o mar em silêncio. Coisa de hippie. Não esqueçam que estou no berço deles também.&lt;br /&gt;Observei que a areia das praias estava sempre limpinha e não se via um caquinho de papel que fosse. E olha que eles tão sempre dando um rango. As praias são todas públicas e não se pode construir nada a uma distância mínima delas e, realmente, tenho que dizer que elas estão bem conservadas e cheias de vegetação nativa, mesmo as mais famosas. Além disso, muitas praias são parques ambientais, santuários da vida animal, etc.&lt;br /&gt;Lembrem-se que este é o estado mais rico do país mais rico e capitalista do mundo, onde as garras da especulação imobiliária e os caninos dos hoteleiros são afiadíssimas. Acho que para segurá-los bastou ser honesto, usar a lei e dizer não, né? Tenho a impressão de que os californianos, têm total consciência de que, em regiões onde o turismo é sazonal,  como aqui ou o litoral catarinense, hotel só cria subempregos temporários, e as casas e loteamentos, por mais chiques que sejam, acabam por destruir e desvalorizar qualquer praia, além de impedirem o acesso da população.&lt;br /&gt;Outra coisa, na estrada, de vez em quando se vê uma placa que diz o seguinte: “Mil dólares de multa para quem jogar lixo na estrada”. É óbvio que ninguém arrisca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surf&lt;br /&gt;Não vou falar que tinha umas ondas porque vocês sabem que aqui, no inverno, tem de sobra. Vi um monte de gente se empapuçando. Além disso, vocês sabem que é nesta região que está o encagaçante Maverick’s. Quem costuma ler essas reportagens chatas de revistas de surf sabe que Maverick’s quebra na Pillar Point, uma península ao lado da praia de Half Moon Bay, a uns 50 quilômetros de São Francisco. Nessa praia, estavam centenas de caboclos pegando umas merrecas, porque nem todo o mundo é doido, né. Prá se alcançar Maverick’s, se tem que estacionar em Half Moon e dar uma pernadinha até o pico. Deixei prá fazer isso na volta e continuei descendo com destino à Santa Cruz.&lt;br /&gt;Quando retornava para São Chico, entrei em Half Moon com intenção de ver Maverick’s mas, como já eram umas 6 horas da tarde, encostei num boteco ali onde fazem a própria cerveja e acabei esquecendo das tenebrosas morras. Também, não ia cair mesmo.&lt;br /&gt;Resumindo, fui à Maverick’s e não vi as famosas e geladas ondas. Mesmo porque, gelada por gelada, a do boteco tava de primeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceridade&lt;br /&gt;Entrevista que Brock Little deu pra Interview Magazine em 1991.&lt;br /&gt;Interview: Porque você não diz quanto ganha por mês dos seus patrocinadores?&lt;br /&gt;Little: Porque não acho justo o quanto eu ganho. Eu recebo mais do que outros caras que também descem ondas grandes e, por isso, me sinto culpado. Não é certo. Não deveria ganhar tanto.&lt;br /&gt;Interview: Você já imaginou o quão diferente é a sua vida quando comparada à das pessoas “comuns”?&lt;br /&gt;Little: Oh, claro. É uma comédia o que eu faço prá viver. As pessoas me perguntam o que faço prá ganhar a vida e eu digo “nada, eu recebo um cheque pelo correio e vou surfar. E quando não tem onda no Havaí, alguém me paga para surfar em outro lugar”.&lt;br /&gt;Interview: Surfar ondas grandes é algum tipo de atividade espiritual?&lt;br /&gt;Little: Que nada, nada a ver com isso. É só a coisa mais divertida que tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas foram as palavras mais sinceras e engraçadas que eu já vi sair da boca de um surfista profissional. Sem aquelas frases místicas, quase sempre carregadas de mitologia havaiana, que muitos repetem. E olha que o cara é bom, hein, e havaiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz ano novo prá todo mundo e, em especial, prá quem está no inferno em que se transforma Floripa no verão. Abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8788540-109820004489352294?l=pierrealfredo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/feeds/109820004489352294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8788540&amp;postID=109820004489352294&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/109820004489352294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8788540/posts/default/109820004489352294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pierrealfredo.blogspot.com/2004/10/garoto-eu-vim-pr-califrnia_19.html' title='Garoto, eu vim prá Califórnia.'/><author><name>Pierre Alfredo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15147589457099688347</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_ri5_7D7qKZc/SXe1D3FsotI/AAAAAAAAAAM/3wSpBwd_7n8/S220/pierre-.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
